Já que sou desorganizado e não escrevo um post decente, eis aí algo… lindo:
A música é obra de The Indoorfins. Quanto ao Tiktaalik, é uma das grandes descobertas da paleontologia. Dê uma lidinha sobre ele, é fascinante!
Já que sou desorganizado e não escrevo um post decente, eis aí algo… lindo:
A música é obra de The Indoorfins. Quanto ao Tiktaalik, é uma das grandes descobertas da paleontologia. Dê uma lidinha sobre ele, é fascinante!
Eu trabalho no anexo de um ministério. Por vezes, tenho de ir para o prédio principal do ministério, passando por um corredor. Curiosamente, toda vez que passo pelo corredor, ouço a música Nuvem Passageira, de Hermes Aquino. Isso é perturbador…
A despeito disso, adoro essa canção. A letra, em especial, é um poema muito interessante. Achei a idéia de caçoar da própria efemeridae tão ousada quanto bem implementada.
Eu sou nuvem passageira que com o vento se vai,
eu sou como um cristal bonito que se quebra quando cai
Não adianta escrever meu nome numa pedra pois esta pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo sou um castelo de areia na beira do mar
A lua cheia convida para um longo beijo mas o relógio te cobra o dia de amanhã
Estou sozinho, perdido e louco no meu leito e a namorada analisada por sobre o divã
Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva
Não quero nem saber do que fazer, vou me matar
Eu vou deixar um dia a vida e a minha energia sou um castelo de areia na beira do mar…
Depois de anos sendo o cara esquisito das rodas de amigos, resolvi adotar hobbies menos exóticos: fui a uma locadora perto de casa e abri uma conta. Para estrear minha vida cinéfila, escolhi Apocalypto. Estava querendo ver o filme há um bom tempo – e minhas especitativas foram satisfeitas.
Apocalypto é um filme visual. As paisagens conseguiam transmitir todas as sensações: medo, coragem, destruição, manipulação. As cenas eram não só expressivas, mas também belíssimas e bem feitas. Algumas decisões polêmicas – como misturar aspectos culturais de diversas épocas da cultura maia – foram tomadas para deixar o filme mais exuberante; o objetivo foi alcançado.
O enredo não deve nada ao visual. A história do caçador perseguido pelos soldados do império é fascinante. O filme consegue prender a atenção. Felizmente, faz isso sem exageros: há muito drama e muita ação, mas não mais do que deveria haver. Quem tivesse assistido o ótimo The Passion of the Christ poderia esperar um filme muito carregado, mas não encontrará isso: o pesado drama foi uma ótima escolha em The Passion of the Christ, mas Apocalypto é outra categoria de filme. Ademais, uma história sobre pré-colombianos dificilmente encontraria backgroud suficiente nos espectadores para emocioná-los tanto quanto a Paixão de Cristo poderia fazer. Se houvesse tanto drama, o filme seria apenas meloso, como são, por exemplo, os filmes de Spielberg.
Os personagens não deixam nada a desejar. Suas motivações, atos, opiniões são convincentes. O espectador sente empatia por eles. Como o filme não possui europeus, eles já não poderiam ser vilões esquemáticos (como temia-se). Os maias são antagonistas, mas definitivamente não são personagens superficiais: seus dramas, atos e opiniões também geram empatia.
Como em The Passion of the Christ, o aspecto mais ousado do filme é o idioma. Apocalypto é falado no dialeto iucateque de maia. A escolha foi muito boa: embora não se possa entender as falas, o idioma cria clima também. Não tive esta sensação (leia todo). Talvez porque tenha sido um filme feito por anglófonos: os atores pareciam falar maia com uma entonação inglesa. É verdade que a legenda distraía o espectador, que via menos dos cenários. Afora isso, porém, foi uma escolha interessante e ousada, e achei que deu certo.
Acredito, porém, que erraram um pouco a mão ao falar da religião maia. O filme deixa claro que a religião maia é um instrumento de controle do povo – especialmente dados os problemas que os maias estavam encarando e viriam a enfrentar. A tese em si, não me incomodou; pelo contrário, foi uma ideia boa. Entretanto, ficou explícito demais. Acredito que, se tivessem apresentado com sutileza, ficaria mais elegante.
O filme teve também suas polêmicas. Por exemplo, alguns historiadores afirmam que os maias não eram tão afeitos a sacrifícios humanos: este seria um aspecto da cultura asteca. Richard Hansen, o especialista que prestou consultoria à produção, responde que, durante o período, houve uma grande influência da cultura asteca sobre os maias. De qualquer forma, segundo alguns pesquisadores, os imolados eram geralmente membros da elite, não escravos – que, por sua vez, talvez não fossem tão comuns.
Houve quem visse no filme uma defesa da colonização espanhola. Segundo estes, o filme transmitiria a idéia de que os maias eram tão selvagens que precisavam do socorro europeu. Sinceramente, isto não faz sentido: em nenhum momento os europeus eram apresentados como salvadores. Pelo contrário: durante todo o filme, vê-se sinais claros de que uma maldição se aproximaria – e esta maldição eram os conquistadores.
Sumarizando, o filme é muito bom. Lamentavelmente, não o vi no cinema: um filme visualmente espetacular, como esse, merece ser visto na telona. Recomendo, porém, que ainda assim o assista: é um dos melhores filmes que já vi.
Alex Castro (o autor de Radical Rebelde Revolucionário) escreveu Mulher de um Homem Só há muito tempo. Tentou lançar o romance através de editoras convencionais. Como não conseguiu, vendeu o livro antes de imprimir, para financiar a primeira edição. Eu, leitor tiete do Liberal Libertário Libertino, comprei um desses volumes.
Para ser honesto, não esperava um livro bom. Nunca gostei muito da ficção de Alex Castro. Onde Perdemos Tudo, seu livro de contos, é até bem escrito, tecnicamente bom, mas não me impressionou, embora tenha passagens divertidas. Ademais, as amostras de Mulher de um Homem Só também não me atraíram.
Felizmente, o livro me surpreendeu de maneira positiva.
Após terminá-lo, notei como o livro é ágil. Li-o dois dias na primeira vez; na segunda, três dias, por falta de tempo. O livro é ágil porque o texto é curto, mas também porque a prosa é direta e clara. A história vai e vem, mas o autor foi hábil: não nos perdemos na leitura. O livro segue uma cronologia psicológica, mas que não trava o leitor.
Mulher de um Homem Só não parece um romance. Ao terminar de lê-lo, senti como se tivesse lido um conto; certamente, seria mais fácil classificá-lo como uma novela. Isto não se deve ao tamanho: a narrativa se refere a um período curto, e o tópico é bastante definido. Isto diverge um pouco da minha imagem de romances, mais próxima de Cem Anos de Solidão ou Grande Sertão: Veredas.
De imediato, a história me lembrou Wuthering Heights e Crônica da Casa Assassinada, que têm como protagonistas mulheres com níveis variáveis de possessividade e ciúmes. Mulher de um Homem Só não é um livro tão extremo quanto estes dois, porém. Esta “baixa intensidade”, por outro lado, remete a outro estilo, o de Clarice Lispector. O tom de monólogo, a liberdade em passear pela história e as sutis sugestões no texto lembram muito a autora.
Uma passagem surpreendente do livro foi o episódio de Libeca. Tive a sensação de ler Pedro Bandeira: de repente, percebo um tom próximo da literatura infantojuvenil dos anos 80. Não que seja idêntico: é como se eu estivesse lendo o livro de um dos leitores daquelas histórias. Procurei mais desses trechos no livro e não encontrei, mas lembrei de trechos de Onde Perdemos Tudo que tinham esse aspecto. Esta foi minha impressão e, mesmo que não se fundamente, me fez perguntar se há pesquisas sobre a influência da literatura infantojuvenil sobre os escritores.
Um ponto polêmico do livro foi a onisciência da narradora. Eu gostei, me fazia suspeitar da narrativa. Entretanto, algo que estranhei muito foi um aparente conhecimento do futuro: dois parágrafos em parênteses parecem descrever eventos que vão acontecer. Como um experimento literário, seria naturalmente válido, mas destoam do tempo do livro, que parece descrever o passado próximo. O principal problema é que esses parágrafos não acrescentam – ao menos para minha leitura não muito hábil – muito ao livro, parecem desnecessários. Certamente, serviram para acrescentar mistério à personagem, mas ainda não sei se gostei disto.
Por fim, destaco a qualidade do final. Muitos romancistas novatos aceleram o passo para terminar o livro. É o caso, por exemplo, do romance EQM. Isto não acontece em Mulher de um Homem Só. O livro tem um final brusco, uma solução que arrisca se tornar uma saída fácil, mas fica claro que a narração foi pensada para chegar a esse ponto. O romance termina com um clímax muito bem pensado.
Para mim, o livro é bem mais maduro que Onde Perdemos Tudo. No livro de contos, tinha-se a sensação de ler histórias da vida do autor. Quando Alex Castro sai de si mesmo e tenta ser Carla, o resultado é mais interessante. Neste caso, ficou claro que o autor fez bem em não escrever sobre si mesmo.
Mulher de um Homem Só não é genial, mas é um bom livro que vale a pena comprar e ler. Recomendo especialmente às mulheres, que parecem ter gostado muito do livro. Para mim, o saldo foi positivo: já fiquei mais interessado no ficcionista Alex Castro.
Pois hoje foi um dia bem… oscilante:
É melhor eu não tentar fazer mais nada legal hoje, pois parece que o universo realmente quer equilibrar a Força…
Michael Jackson se perdera em suas extravagâncias. Não parecia ter muita noção da realidade. Entretanto, foi um artista gigantesco, sua obra demorará a ser superada. Por mais que não o acompanhasse nos últimos tempos, fico realmente triste.
E já que o Phillipe mandou o link do clipe do Michael Jackson preferido dele e o Hermenauta postou o clássico Thriller (bem, sort of…), aproveito para declarar meu fascínio por Billie Jean.
O blog Net Effect, da Foreign Policy, é leitura obrigatória para qualquer pessoa interessada em Internet, comunicação, Web 2.0 e outros temas modernosos. Primeiro, porque Evgeny Morozov é um analista atento e sóbrio que foca sobre a real influência das novas tecnologias sobre povos e países. As análises dele têm uma consistência rara, ainda mais que são sobre temas que frequentemente levam ao messianismo yuppie.
Além disso, Net Effect apresenta históricas como a de Baimurat Allaberiyev, conhecido como Tajik Jimmy. Baimurat Allaberiyev é um tajique (etnicamente, um uzbeque) que emigrou para a Rússia para trabalhar na construção civil. Tornou-se uma celebridade após alguns vídeos seus caírem no YouTube. E por que esses vídeos o tornaram uma celebridade? Veja você mesmo!
As canções que Jimmy canta são de trilhas sonoras de filmes bollywoodianos, até onde averiguei.
Mesmo que ele não fosse tão bom, já seria no mínimo curioso um tajique uzbeque cantando músicas em hindi na Rússia! Que o mundo ficara plano, eu já sabia; a surpresa é que até o centro da Ásia, essa região nunca citada, ficou plana também.
Visite o post lá no Net Effect, que explica toda a situação.
Usei a Internet pela primeira vez na Escola Técnica de Brasília. Eu estava fascinado pelo novo universo das interwebs. O grande guia, para mim, à época, era o antigo Cadê?. Devo agradecer ao Cadê? por me permitir conhecer o maravilhoso, esplêndido, fascinante, vitaminado e indispensável Jornal de Poesia.
Este site possui textos de mais de mil poetas que escrevem em português, incluindo obras completas de autores como Fernando Pessoa e Augusto dos Anjos. Além disso, o site também tem aquele visual de páginas de 1996 – que é charmoso nas páginas que realmente são de 1996, como é o caso.
Então, se você gosta de poesia, que espera? Visite o Jornal de Poesia agora mesmo! Eu, que há quase dez anos o conheço, não canso de me surpreender…
Eu não entendi porque dizem que esse vídeo é uma comédia… De qualquer forma, eu gostei bastante:
Gostou? Pois o canal NFB tem mais curtas bem interessantes.
Meu dia começou bem hoje: encontrei isso no YouTube.
Desde que li esse post em janeiro, estava ansioso para assistir Valsa com Bashir. Assim que foi lançado aqui em Brasília, assisti.

Poster de Valsa com Bashir
Valsa com Bashir, ou Waltz with Bashir, é um documentário, feito em desenho animado, sobre o Massacre de Sabra e Sharita (mais aqui). O filme foi escrito e dirigido pelo cineasta israelence Ari Folman. Em verdade, o documentário é em grande parte autobiográfico: Folman participou da Guerra do Líbano de 1982. Segundo o filme, Folman não tinha lembranças da guerra, e só percebera isso quando um ex-companheiro de caserna lhe conta um pesadelo sobre o confronto. Curioso sobre a razão do esquecimento, ainda que temendo o que possa descobrir, Folman procura lembrar-se do que de fato ocorreu, juntando diversos depoimentos. À medida que avança, relembra cenas da guerra e descobre horrores das batalhas – culminando com um maior conhecimento do que ocorreu nos campos de refugiados, e no papel que ele mesmo teve, passivamente, nos massacres.
O filme é esplêndido. O traço e as cores são realistas, mas sem os detalhes que abundam nas animações 3D. Nâo precisa deles: o estilo dos desenhos é expressivo. O ponto alto do filme é a trilha sonora. Não consigo lembrar de algum filme que tenha feito uma escolha tão certa de músicas. Uma das razões pelas quais o filme me fascinou desde que vi o trailer foi a combinação perfeita entre música – punk rock, música popular israelense – e desenho.
Devo dar um alerta, porém: o filme é um documentário. Embora ele tenha uma carga artística rara em documentários, a estrutura do filme é ainda descritiva. O enredo do filme, embora possua uma história central, não é contínuo: a história salta entre cenas de guerras, entrevistas, delírios e pesadelos etc. Então, não espere um filme de guerra na forma tradicional.
O fato de ser um documentário permitiu ao filme apresentar inúmeras histórias bastante interessantes. Além disso, as diversas entrevistas, altamente subjetivas, permitiram que o diretor apresentasse cenas desde já antológicas, como a cena inicial dos cachorros e a dança citada no título.
Politicamente, o filme chega a ser bastante tranquilo, considerando a intensidade do tema. Alguns comentaristas vêem no filme uma propaganda israelense, o que me parece exagerado. Outros vêem uma conspiração alemã para aliviar a culpa pelo Holocausto, devido a várias referências, polêmicas, a Auschwitz – o que é ainda mais bizarro. Eu, no geral, vi no filme uma confusão honesta de um homem tentando compreender seu passado. É mais ou menos a mesma sensação que tenho ao ler posts do Pedro Dória sobre Israel: a busca da conciliação entre a Israel democrática e pluralista e o Estado desumano com um povo fraco, às vezes além dos limites legais. Entretanto, Folman é mais intenso: ao mesmo tempo em que sua confiança em Israel é clara, inegável, ele não se poupa de apontar para o massacre apoiado pelas tropas israelenses. Embora Gideon Levy tenha visto no filme uma propaganda que mostra o “lado bom” do exército, eu não vejo condescendência do diretor para com as tropas, ou com o Estado: certamente é um filme condescendente, mas com os jovens militares. Entretanto, isso não evita que o filme plante a pergunta na mente do espectador: até que ponto o soldado é responsável?
Além desses questionamentos, me veio mais um à mente. Certamente o estado israelense teve participação nos massacres, o que é vergonhoso e deve ser denunciado… mas por que ninguém nunca relembra a culpa dos cristãos libaneses, mais especificamente os falangistas? Esta questão, porém, é complicada, é História e talvez ficasse desconexa no filme. Agora, é hora de pesquisar por mim mesmo.
Pois bem, falei demais, e o filme é muito mais interessante. Só posso recomendar que assista. Para sentir um pouco do gosto, eis abaixo o trailer que me convenceu automaticamente a vê-lo: