Arquivo da categoria ‘Poesia’

Hermes Aquino e a nuvem passageira

Sexta-Feira, 16 de Outubro de 2009

Eu trabalho no anexo de um ministério. Por vezes, tenho de ir para o prédio principal do ministério, passando por um corredor. Curiosamente, toda vez que passo pelo corredor, ouço a música Nuvem Passageira, de Hermes Aquino. Isso é perturbador…

A despeito disso, adoro essa canção. A letra, em especial, é um poema muito interessante. Achei a idéia de caçoar da própria efemeridae tão ousada quanto bem implementada.

Eu sou nuvem passageira que com o vento se vai,
eu sou como um cristal bonito que se quebra quando cai
Não adianta escrever meu nome numa pedra pois esta pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo sou um castelo de areia na beira do mar
A lua cheia convida para um longo beijo mas o relógio te cobra o dia de amanhã
Estou sozinho, perdido e louco no meu leito e a namorada analisada por sobre o divã
Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva
Não quero nem saber do que fazer, vou me matar
Eu vou deixar um dia a vida e a minha energia sou um castelo de areia na beira do mar…

Jornal de Poesia

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Usei a Internet pela primeira vez na Escola Técnica de Brasília. Eu estava fascinado pelo novo universo das interwebs. O grande guia, para mim, à época, era o antigo Cadê?. Devo agradecer ao Cadê? por me permitir conhecer o maravilhoso, esplêndido, fascinante, vitaminado e indispensável Jornal de Poesia.

Este site possui textos de mais de mil poetas que escrevem em português, incluindo obras completas de autores como Fernando Pessoa e Augusto dos Anjos. Além disso, o site também tem aquele visual de páginas de 1996 – que é charmoso nas páginas que realmente são de 1996, como é o caso.

Então, se você gosta de poesia, que espera? Visite o Jornal de Poesia agora mesmo! Eu, que há quase dez anos o conheço, não canso de me surpreender…

O culto à amada

Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Cultuo o corpo dela, a minha amada,

tão cheio de prazer e fanatismo

quanto convém àquele que do nada

fugiu, em direção ao hedonismo.

Louvo a boca de minha namorada

com um louvor parente do extremismo

como convém àquele que a cada

beijinho menos cede ao pessimismo.

Adoro o braço longo, a perna fina,

olhar gigante, vulva pequenina,

nariz, cabelo, seios, palma, pé…

Sou todo adoração a uma humana

cujo corpo salvou-me a alma insana

melhor do que pudera qualquer fé!

2005

O cão do ausente

Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Você foi, para mim, tão importante

que eu não podia nem pensar em nada

sem lembrar de você, que estava em cada

pedaço do meu pensamento amante.

Separei um espaço tão gigante

da minha vida para a minha amada

que quase já não importava nada

mais para minha alma festejante.

Mas você foi-se, e a alma que sorria

minguou em compridíssima agonia

e o amor murchou de dor e de revolta.

Mas – ah! – o espaço ainda está guardado

no meu coração morto e consternado

qual cão que espera o dono que não volta…

2005

A maldição do soneto

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Desesperadamente, linha a linha,

escrevo os versos desse meu poema

tentando aliviar a dor mesquinha

que violentamente a mim se algema,

pois cada verso é um guia que encaminha

um pouco dessa depressão extrema

ao mundo lá de fora e que da minha

cabeça tira um pouco do problema.

Verso a verso, eu expulso lentamente

dor, rancor, solidão, ódio, tristeza

da minha mente tristemente presa.

Mas de que vale, se da minha mente,

de tantos sofrimentos tão perversos,

só posso aliviar quatorze versos?