Arquivo da categoria ‘Política’

Garibaldi Alves Filho

Sexta-Feira, 14 de Agosto de 2009
Ok, não é um galã, mas até que parece gente fina

Não é um galã, mas é gente fina

José Sarney é o ícone da crise no Senado Federal. O que é natural: Sarney é patriarcal,  coronelista, símbolo do PMDBão e provavelmente tem o site mais feio da Internet em português. Até a revista The Economist lamentou quando ascendeu à presidência do Senado. Os escândalos de agora não são, portanto, nenhuma surpresa.

Entretanto, não estou aqui para falar de Sarney, mas de seu predecessor, Garibaldi Alves Filho.

Garibaldi Alves foi eleito em meio à confusão da renúncia de Renan Calheiros. A CartaCapital o classificou como um presidente “vai-tu-mesmo” que não incomodaria ninguém. Supus então que Garibaldi era só mais um político populista, um Joaquim Roriz com mais sorte.

Felizmente, estava enganado.

Não acompanhei o mandato do senador em detalhes, mas algo me chamou a atenção. Garibaldi Alves defendia a instituição do Senado Federal. Não o fez isso para se defender, como os cínicos; Garibaldi Alves o fez porque, aparentemente, acredita na importância da separação de poderes, da constitucionalidade e das instituições. Além disso, sua postura é sempre digna, suas palavras equilibradas e suas opiniões maduras e consistentes. Por fim, não foi pego envolvido em escândalos.

Parece que isto tudo passou desapercebido a maioria das pessoas. Devemos, porém, lembrar também de quem faz um bom trabalho.

Conheço pouco da obra de Garibaldi Alves. Pode até ser que ele seja um mau político – se for, gostaria de saber.  Porém, o pouco que conheço indica que é um homem sério, algo incomum entre os políticos em evidência. Se você é do Rio Grande do Norte, vote nele por mim.

“Estadunidense”, seu stalinista?!

Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Esses dias, em uma lista de discussão, eu usei o termo “estadunidense” e alguém respondeu que só viu marxistas clássicos usarem a palavra. Como de vez em quando eu uso o termo aqui, vai aí um aviso: não, eu não sou marxista, comunista nem membro de DCE. Eu só uso a palavra porque é mais clara e específica.Também não vou discutir com ninguém que use os termos “norte-americano” ou “americano” para se referir aos cidadãos dos Estados Unidos.

Sabe como é, não custa nada avisar…

Eleições Estadunidenses

Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Hoje é dia de eleição nos Estados Unidos.

A princípio, eu estava bem neutro. Obama tinha um discurso mais simpático e pacifista, mas McCain parecia bem mais experiente e favorável a latino-americanos, inclusive brasileiros. Depois que McCain escolheu Sarah Palin como sua vice-presidente, acabei preferindo mais Obama, embora eu ainda me sinta suspeitoso.

Hoje, provavelmente, Obama ganha. Isso seria bom por vários motivos: talvez os Estados Unidos se tornem menos belicosos, e, afinal, a alternância de poder é um bom valor. Provavelmente os Estados Unidos vão se tornar mais protecionistas, mas nada é perfeito. Se, como brasileiro, prefiro McCain, como estrangeiro e pacifista acho que Obama não seria má escolha, afinal.

No final, acho que tudo indica que, seja qual for o resultado, estaremos em um mundo melhor. McCain, felizmente, não é Bush, e se ganhar e fizer o favor de não morrer, poderia perfeitamente fazer um bom governo. Obama, por inexperiente que seja, traz novos ares, e parece favorecer mais o diálogo e menos a guerra; inclusive, propõe investir mais em problemas sérios, como a al-Qaeda no Afeganistão, ao invés de alimentar delírios, como atacar o Irã.

Bem, todos apostos? Peguem suas pipocas, assinem o feed do blog do Pedro Dória e se divirtam!

El Chapulín Colorado!

Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Capa da Veja sobre as últimas semanas da crise estadunidense

Capa da Veja sobre a crise estadunidense

Primeiro, a Veja publica essa constrangedora capa. De primeira, nem achei tão ruim assim, achei até ousada e corajosa. Aí, eu leio a reportagem e fico vermelho de vergonha – principalmente vergonha alheia pelo jornalista. Depois, vejo o que uma revista liberal de verdade diz. Como a cereja do bolo, hoje eu leio isso no blog do Pedro Dória.

Acho que a próxima manchete de capa da Veja vai ser:

Oh, e agora, quem poderá nos defender?!

Não acredito no fim do liberalismo, não estou torcendo pela “Queda do Império” nem estou feliz pela crise. Só acho que não é preciso passar tanta vergonha quanto a Veja passou…

Radical Rebelde Revolucionário

Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Eu li vários livros ótimos no final de 2007 e início de 2008. Um desses livros é Radical Rebelde Revolucionário.

Permitam-me apresentar Alex Castro. Alex Castro é um blogueiro bastante conhecido que aprecio muito. Seus textos são bastante divertidos mas provocam poderosas reflexões, além de serem muito claros. Gosto especialmente de suas idéias, liberais e libertárias em um nível que eu nem imaginava possível antes de conhecer o blogue dele.

Liberal Libertário Libertino

Liberal Libertário Libertino

Alex Castro tem três livros publicados. Desses, apenas Liberal Libertário Libertino foi impresso em papel. Provavelmente esse é seu melhor livro, pois, ao que parece, é uma coletânea mais bem trabalhada das crônicas que podem ser encontradas no site dele. Essas crônicas, assim como as prisões, são textos deliciosos de ler, cheios de humor e elegância. São, também, manifestações de idéias poderosas sobre liberdade, capazes mesmo de mudar vidas.

Entretanto, ainda não comprei Liberal Libertário Libertino porque priorizei os dois outros livros: Onde Perdemos Tudo e Radical Rebelde Revolucionário.

Onde Perdemos Tudo é uma coletânea de contos. Confesso que não gostei deste livro. Achei os contos fraquinhos e um tanto quanto pretensiosos, repetitivos e explícitos demais. Entretanto, talvez você queira dar uma chance ao livro: muita gente gostou dos contos, não seria justo confiar apenas no meu gosto. Confira os contos A Porta e A Morte do Meu Cachorro e tire suas conclusões. Dê uma olhada também em algumas resenhas.

Radical Rebelde Revolucionário é outra história. Esse insólito livro é o resultado de uma viagem de Alex Castro para Cuba. Ocorre que autor é, no momento, um mestrando na Tulane University em Nova Orleans, e sua pesquisa é sobre a escravidão na literatura latino-americana. Ele conseguiu financiamento para viajar para Cuba para aprofundar sua pesquisa. Ele foi lá, pesquisou, se divertiu pacas e, de quebra, escreveu o livro.

A primeira grande qualidade de Radical Rebelde Revolucionário é que não é um panfleto. Alex Castro é um livre pensador, e seu livro não é uma série de descrições e argumentos tentando provar que Cuba é um estado stalinista ou uma nação democrática. A Cuba de Alex Castro é humana, não ideológica. Ele não toma lado nenhum (embora ele pareça ter uma leve simpatia pelos socialistas) e observa não o ícone (do Mal ou do Bem), mas sim o país real, com seu povo, seus problemas e – por que não? – suas soluções.

Radical Rebelde Revolucionário

Radical Rebelde Revolucionário

Não bastasse ser um livro não dogmático, é uma delícia de ler. As crônicas são fluentes e muito, muito divertidas. As histórias sobre jineteiros, as peripécias do malandro Cándido, a sensualidade da bibliotecária Dolores, as descrições de tudo isso são de um humor único, quase escrachado mas extremamente realista.

Acima de tudo, Radical Rebelde Revolucionário é vivo. Lendo o livro, você quase pode vislumbrar os acontecimentos ocorrendo ali, na sua frente. Quando li a crônica que disserta, dentre outras coisas, sobre o caráter sorvetístico dos cubanos, tive de sair para comprar uma casquinha. Estou feliz por não ter me tornado fumante ao final do livro, como resultado da descrição fascinante e fascinada da indústria de charutos cubanos!

Vale destacar, porém, que o livro não foge de questões políticas, sociais e econômicas. A pobreza da ilha é bem retratada, a falta de democracia não é ignorada, problemas de abastecimento são uma constante e um lamento pela falta de dignidade da vida do cubano permeia a obra. Do mesmo modo, Alex Castro percebe em Cuba o resultado de uma revolução real, não a troca de uma elite por outra, e fascina-se com o exótico espetáculo de um país sem ricos nem miseráveis, mas só com pobres. Dada essas observações, não é de se admirar que o autor foi considerado castrista pelos anticastristas e anticastrista pelos castristas. Isso, por si só, já contaria muitos pontos para a obra.

De qualquer forma, ao menos para mim, o autor parece pouco interessado nas grandes questões políticas e sociais. Seu objetivo é entender os cubanos, seus hábitos, tradições, arte e cultura. E é isso que torna o livro inestimável: em uma zeitgeist onde Cuba é bandeira de praticamente qualquer movimento político, é reconfortante saber como são as pessoas reais desse país estranhíssimo.

Enfim, reitero minha sugestão: compre e leia o Radical Rebelde Revolucionário! Vai ser um dos melhores e mais agradáveis livros contemporâneos que você vai ler.

O filme da década ainda está para ser gravado

Sexta-Feira, 11 de Julho de 2008

Estou lendo as matérias do Bob Fernandes, da Terra Magazine, sobre a prisão de Daniel Dantas. Por exemplo, a prisão em si e o momento onde o acusado promete “detonar” e “contar tudo”. Mal vejo a hora de publicarem o livro e lançarem o filme.

Artur da Távola

Sexta-Feira, 16 de Maio de 2008

Vi no Jornal do Senado (assine aqui) uma notícia que me deixou triste: o ex-senador Artur da Távola faleceu.

Paulo Alberto Monteiro de Barros – nome de batismo de Artur da Távola – era jornalista e escritor, além de político. Começou sua vida política em 1960, elegendo-se deputado estadual do antigo estado da Guanabara pelo PTN. Em 1962, elegeu-se depudado constituinte pelo PTB, mas foi caçado pelo Regime Militar, exilando-se, de 1964 a 1968, na Bolívia e no Chile. Durante a redemocratização, foi um dos fundadores do PSDB e líder da bancada do partido na Assembléia Constituinte de 1988. Foi também deputado federal de 1987 a 1995 e senador de 1995 a 2003.

Eu o conhecia através seu programa na TV Senado, Quem Tem Medo de Mùsica Clássica? Não conheço muito de sua obra política, mas como apresentador e professor, ele era fascinante. Esbanjava conhecimento e carisma em cada um dos episódios, que terminavam sempre com a seguinte frase:

Música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão.

Artur da Távola faleceu na última sexta-feira, dia 9. Ele já vinha sofrendo de problemas cardíacos desde de agosto de 2007.

Para mais informações, veja a notícia no Jornal do Senado, na Folha Online e, naturalmente, seu artigo na Wikipédia.

Nota: muita gente chegou aqui digitando “Artur da Távora” nos mecanismos de busca. Bem, foi tanto um erro meu quanto um engano nas pesquisas deles. O nome correto é “Artur da Távola”.