Archive for julho \30\UTC 2008

Post PPS-like do dia

quarta-feira, 30 \30\UTC julho \30\UTC 2008

Essa história eu ouvi no trabalho. O amigo que me contou disse que ouviu de um cara superconfiável, o que já reduz bastante a confiabilidade da história. De qualquer forma, é bem interessante, mesmo se não for factual.

Na linha de produção de cremes dentais de uma grande empresa, algumas caixinhas de papelão chegavam vazias, sem nenhum tubo de creme dental, às embalagens de atacado. Não era um problema sério: embora essas caixinhas cheguassem mesmo às prateleiras dos mercados, bastava o cliente deixá-las de lado e pegar outra caixinha.

Entretanto, com o advento do Código de Defesa do Consumidor, essa situação tornou-se um problema sério. A empresa, então, contratou dois engenheiros para analisar a situação e propor uma solução. Depois de um bom tempo e alguns milhões de reais gastos, os engenheiros propuseram um sistema no qual as caixinhas passariam por uma balança e, se seu peso não estivesse em uma faixa aceitável, um braço mecânico descartaria a embalagem.

Implantou-se o sistema. Depois de dois meses, foram analisar sua eficácia. As estatísticas eram bastante positivas: nenhuma caixinha vazia chegou ao final da linha de produção! Mas aí alguém nota algo bem estranho: os relatórios indicavam que o novo sistema estava desligado esse tempo todo!

Diretores procuram outros diretores que procuram gerentes que procuram supervisores… até que, enfim, vão perguntar aos funcionários se algo de estranho havia ocorrido. Um funcionário responde:

É, desligamos o sistema. Ele dava muito problema, não funcionava direito, estava reduzindo a produtividade.

Os diretores perguntam, então:

Mas, então, o que vocês fizeram para que as caixas vazias descartadas?

O funcionário fala:

Bem, nós fizemos uma vaquinha e compramos um ventilador. Agora, basta deixá-lo ligado ao fim da linha de montagem que as caixas vazias são jogadas para fora.

RA!

Essa história me parece, no mínimo, enfeitada; entretanto, a técnica faz bastante sentido e, no final, é uma boa fábuloa sobre o do-it-yourself.

Radical Rebelde Revolucionário

quarta-feira, 16 \16\UTC julho \16\UTC 2008

Eu li vários livros ótimos no final de 2007 e início de 2008. Um desses livros é Radical Rebelde Revolucionário.

Permitam-me apresentar Alex Castro. Alex Castro é um blogueiro bastante conhecido que aprecio muito. Seus textos são bastante divertidos mas provocam poderosas reflexões, além de serem muito claros. Gosto especialmente de suas idéias, liberais e libertárias em um nível que eu nem imaginava possível antes de conhecer o blogue dele.

Liberal Libertário Libertino

Liberal Libertário Libertino

Alex Castro tem três livros publicados. Desses, apenas Liberal Libertário Libertino foi impresso em papel. Provavelmente esse é seu melhor livro, pois, ao que parece, é uma coletânea mais bem trabalhada das crônicas que podem ser encontradas no site dele. Essas crônicas, assim como as prisões, são textos deliciosos de ler, cheios de humor e elegância. São, também, manifestações de idéias poderosas sobre liberdade, capazes mesmo de mudar vidas.

Entretanto, ainda não comprei Liberal Libertário Libertino porque priorizei os dois outros livros: Onde Perdemos Tudo e Radical Rebelde Revolucionário.

Onde Perdemos Tudo é uma coletânea de contos. Confesso que não gostei deste livro. Achei os contos fraquinhos e um tanto quanto pretensiosos, repetitivos e explícitos demais. Entretanto, talvez você queira dar uma chance ao livro: muita gente gostou dos contos, não seria justo confiar apenas no meu gosto. Confira os contos A Porta e A Morte do Meu Cachorro e tire suas conclusões. Dê uma olhada também em algumas resenhas.

Radical Rebelde Revolucionário é outra história. Esse insólito livro é o resultado de uma viagem de Alex Castro para Cuba. Ocorre que autor é, no momento, um mestrando na Tulane University em Nova Orleans, e sua pesquisa é sobre a escravidão na literatura latino-americana. Ele conseguiu financiamento para viajar para Cuba para aprofundar sua pesquisa. Ele foi lá, pesquisou, se divertiu pacas e, de quebra, escreveu o livro.

A primeira grande qualidade de Radical Rebelde Revolucionário é que não é um panfleto. Alex Castro é um livre pensador, e seu livro não é uma série de descrições e argumentos tentando provar que Cuba é um estado stalinista ou uma nação democrática. A Cuba de Alex Castro é humana, não ideológica. Ele não toma lado nenhum (embora ele pareça ter uma leve simpatia pelos socialistas) e observa não o ícone (do Mal ou do Bem), mas sim o país real, com seu povo, seus problemas e – por que não? – suas soluções.

Radical Rebelde Revolucionário

Radical Rebelde Revolucionário

Não bastasse ser um livro não dogmático, é uma delícia de ler. As crônicas são fluentes e muito, muito divertidas. As histórias sobre jineteiros, as peripécias do malandro Cándido, a sensualidade da bibliotecária Dolores, as descrições de tudo isso são de um humor único, quase escrachado mas extremamente realista.

Acima de tudo, Radical Rebelde Revolucionário é vivo. Lendo o livro, você quase pode vislumbrar os acontecimentos ocorrendo ali, na sua frente. Quando li a crônica que disserta, dentre outras coisas, sobre o caráter sorvetístico dos cubanos, tive de sair para comprar uma casquinha. Estou feliz por não ter me tornado fumante ao final do livro, como resultado da descrição fascinante e fascinada da indústria de charutos cubanos!

Vale destacar, porém, que o livro não foge de questões políticas, sociais e econômicas. A pobreza da ilha é bem retratada, a falta de democracia não é ignorada, problemas de abastecimento são uma constante e um lamento pela falta de dignidade da vida do cubano permeia a obra. Do mesmo modo, Alex Castro percebe em Cuba o resultado de uma revolução real, não a troca de uma elite por outra, e fascina-se com o exótico espetáculo de um país sem ricos nem miseráveis, mas só com pobres. Dada essas observações, não é de se admirar que o autor foi considerado castrista pelos anticastristas e anticastrista pelos castristas. Isso, por si só, já contaria muitos pontos para a obra.

De qualquer forma, ao menos para mim, o autor parece pouco interessado nas grandes questões políticas e sociais. Seu objetivo é entender os cubanos, seus hábitos, tradições, arte e cultura. E é isso que torna o livro inestimável: em uma zeitgeist onde Cuba é bandeira de praticamente qualquer movimento político, é reconfortante saber como são as pessoas reais desse país estranhíssimo.

Enfim, reitero minha sugestão: compre e leia o Radical Rebelde Revolucionário! Vai ser um dos melhores e mais agradáveis livros contemporâneos que você vai ler.

O filme da década ainda está para ser gravado

sexta-feira, 11 \11\UTC julho \11\UTC 2008

Estou lendo as matérias do Bob Fernandes, da Terra Magazine, sobre a prisão de Daniel Dantas. Por exemplo, a prisão em si e o momento onde o acusado promete “detonar” e “contar tudo”. Mal vejo a hora de publicarem o livro e lançarem o filme.


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