Archive for outubro \28\UTC 2008

MegaRex

terça-feira, 28 \28\UTC outubro \28\UTC 2008

Esses dias, o Obivious, o melhor blog em língua portuguesa, escreveu um post uma curiosa banda brasileira: MegaRex.

Fotografia da banda

Fotografia da banda

Formada por Conde Flavio di Marchesã, Marco Camarano e Paulinho Barizon, a banda é uma peça rara. Tocam rock com os instrumentos tradicionais (guitarra, bateria etc.) e acrescentam um violino; o som fica bastante original, lembrando a ousadia (mas não o estilo) do Chico Science. Não lhes falta talento para desenvolver as músicas, que são bastante animadas. Além disso, as letras são de um humor impagável, de alta qualidade.

O melhor, porém, é que o CD MegaRex está disponível gratuitamente no site. Curiosamente, no site há uma promoção bizarra na qual você pode ganhar, de verdade, um Fusca vermelho!

Minhas músicas preferidas são Misturada e El Fuca Vermejo No Mi Atropellará Jamás, que segue abaixo.

Vai lá no site deles dar uma espiada. Eu acredito que você se divertirá bastante.

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EQM

segunda-feira, 27 \27\UTC outubro \27\UTC 2008

Aparentemente, um monte de gente cujos blogs acompanho gosta do 1001 Gatos de Schrödinger. Resolvi, então, explorar o tal blog. Não entendi muita coisa, confesso, mas descobri Ibrahim Cesar e seu surpreendente livro EQM.

EQM, sigla para experiência de quase-morte, é um romance extremamente original. É uma historia sobre Jonas, um rapaz tímido tentando encontrar um sentido para a vida. É amigo do cínico George, com quem trabalha. Na sua jornada existencial, descobre a clínica Novo Caminho, que vende experiências de quase-morte. Na clínica, conhece Falls, que é amiga de Regina, com quem Jonas trabalha…

Capa de EQM

Capa de EQM

…mas não vou me deter nos detalhes da história. O que importa é que EQM é um ótimo livro. Ibrahim Cesar escreve muito bem, sabe cativar o leitor e tem um estilo moderno e divertido de escrever. O autor sabe utilizar muito bem de ironia fina: o livro todo dá a impressão de que o narrador está com um sorriso de canto de boca.

A modernidade do texto é outra qualidade de EQM. É um livro jovem, antenado. Faz uso competente de referências à cultura pop menos massificada – a ponto que eu acho que eu mesmo não percebi todas. Isto é, porém, “irrelevante”, como diria George: você não tem de conhecer as referências para entender o texto. O que for necessário saber, será muito bem explicado, mas não num tom professoral: em EQM, até as explicações científicas e históricas são boa literatura.

Embora eu tenha ressaltado quão prazeroso e elegante é o texto, é bom frisar que EQM também é um livro profundo, embora leve. As histórias e as decisões dos personagens certamente fazem pensar. Acredito que muitas das situações refletirão aspectos da vida das maiorias dos leitores, mas serão apresentadas de maneira nova, num contexto original e com questões difíceis, o que torna o livro um mind-feeder notável.

O livro tem também seus pontos baixos. O final parece ter sido feito às pressas, sem muita vontade. Tem inclusive uma referência ótima, mas explícita demais para quem já conhece. A revisão também fica muito a dever, especialmente no final. Há erros suficientes para atrapalhar o fluxo da leitura.

Entretanto, nada isso impede uma boa apreciação de EQM. O livro está disponível, grautamente, sob Creative Commons. Também é vendido impresso pelo site Os Viralata. Se a versão impressa for melhor revisada, certamente vai valer a pena comprá-la, e eu farei isso, se for o caso. Nada mais justo que pagar por uma obra-prima.

Don’t worry, be happy

domingo, 5 \05\UTC outubro \05\UTC 2008

Prezados leitores,

Houve um pequeno engano na última postagem. Eu afirmei que o hino da felicidade provavelmente seria Smiley Faces. Que erro grosseiro! Smiley Faces é bom e empolgante, mas o hino da felicidade é, claramente, Don’t Worry, Be Happy!

Here’s a little song I wrote,

You might want to sing it note for note:

Don’t worry, be happy.

In every life we have some trouble

But when you worry you make it double:

Don’t worry, be happy.

Don’t worry, be happy now.

Don’t worry, be happy. Don’t worry, be happy.

Don’t worry, be happy. Don’t worry, be happy.

Ain’t got no place to lay your head

Somebody came and took your bed:

Don’t worry, be happy.

The landlord say: “Your rent is late.

He may have to litigate.”

Don’t worry, be happy.

Look at me – I’m happy. Don’t worry, be happy.

Here I give you my phone number. When you worry, call me,

I make you happy. Don’t worry, be happy.

Ain’t got no cash, ain’t got no style,

Ain’t got no gal to make you smile:

Don’t worry, be happy

‘Cause when you worry your face will frown

And that will bring everybody down

Don’t worry, be happy.

Don’t worry, don’t worry, don’t do it.

Be happy. Put a smile on your face.

Don’t bring everybody down.

Don’t worry. It will soon pass, whatever it is.

Don’t worry, be happy.

I’m not worried, I’m happy.

Você também pode assistir legendado aqui.

A música de Bobby McFerrin é baseada numa famosa frase do místico indiano Meher Baba. Em 1988, foi a número um no Billboard Hot 100 por duas semanas – feito inédito para uma a cappella. Desde então, é a música para aliviar as horas do desespero.

Bom proveito!

Gnarls Barkley

quarta-feira, 1 \01\UTC outubro \01\UTC 2008

Gente saudosista é muito chata, especialmente em música. Você sabe do que estou falando: aquelas pessoas que vivem dizendo que “nada que se faz hoje presta”, “naqueles tempos é que era bom”, “a música morreu” etc. etc. Posso falar com tamanha confiança porque eu também sou um desses chatos. Gosto de muito pouca música posterior aos anos 90. Nesse pequeno conjunto, se destaca Gnarls Barkley.

Esse idiossincrático projeto é uma joint venture musical dos estadunidenses Cee-Lo e Danger Mouse. Cee-Lo é um conceituado cantor de hip hop e soul. Começou sua carreira no grupo Goodie Mob, de Atlanta, depois partiu para uma não muito bem-sucedida carreira solo. Embora seja “oficialmente” um rapper, seu estilo e sua voz lembram muito gospel, o soul e o blues.

Cee-Lo, em primeiro plano, e Danger Mouse

Gnarls Barkley: Cee-Lo, em primeiro plano, e Danger Mouse

Danger Mouse, por sua vez, é um produtor de Nova Iorque. Ficou conhecido pelo The Gray Album, mixagem de The White Album dos Beatles com The Black Album do rapper Jay-Z. Esse trabalho lhe rendeu algumas dores de cabeça com a EMI, detentora dos direitos autorais do disco dos Beatles. De qualquer forma, The Gray Album foi um sucesso e Danger Mouse foi convidado para produzir Demon Days, dos Gorillaz, outro disco que me fascina.

Cee-Lo e Danger Mouse trabalharam juntos numa turnê do primeiro na qual  o segundo era DJ. Trabalharam em alguns outros projetos também, como o The Mouse and the Mask do projeto DANGEROOM. Conversa vai, conversa vem, resolvem gravar juntos. Lançam, em 2006, o esplendoroso St. Elsewhere. O resultado foi um estrondoso sucesso.

Eu conheci Gnarls Barkley através de sua música mais famosa, Crazy. Essa música fez bastante sucesso e eu gostei bastante de ouvi-la em rádio, mas não sabia quem cantava. Um dia, enquanto doava sangue(!), o celular de uma enfermeira toca essa música como ringtone. Eu lhe pergunto que música é essa. Fui procurar mais sobre Gnarls Barkley (sem nem saber se era uma pessoa ou um conjunto), mas sem muitas esperanças, pois estava esperando um grupo de um sucesso só.

Não poderia estar mais enganado. Gnarls Barkley é música de primeira, um soul moderno e alternativo feito por gente muito talentosa. A voz de Cee-Lo é forte e grave, mas chega a agudos inimagináveis. A criatividade de Danger Mouse na produção é sem par. Suas letras são ótimas, também, com uma beleza dificíl de encontrar. Cada música deles que ouvi fui uma música a mais que passei a gostar: não há praticamente nenhuma música deles da qual eu não goste. Além disso, seu trabalho é cheio de um humor sutil mas visível. Conciliar música e humor é algo bastante complicado, mas eles fizeram com maestria.

Ademais, seus clipes são muito bem trabalhados, criativos, e, mais importante, significativos. Não estragam suas músicas, e suas músicas se encaixam perfeitamente neles. Como a maioria dos clipes que vejo são irrelevantes, mal feitos, bobos ou desagradáveis, é uma boa surpresa encontrar alguém que, ao fazer um clipe, o faz direito.

Agora, chega de conversa, vamos à música! Abaixo vai a já clássica Crazy:

Go Go Gadget Gospel é bonita e enérgica. Toda vez que e a ouço me bate uma vontade gigantesca de sair correndo para fazer aquelas coisas que sempre queremos fazer mais adiamos. Além disso, o clipe é uma impagável “homenagem” ao rap estadunidense atual:

Going On é uma das músicas mais bonitas que já ouvi, e é perfeitamente complementada pelo belo clipe gravado na Jamaica:

Já se você gosta de música para energizar, você precisa ouvir Run:

E, se existir um hino à felicidade, ele deve ser Smiley Faces:


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