Disciplina

Le Parkour

Passement

Sempre fui CDF. Adorava ler e estudar. Frequentemente, era rotulado como o melhor aluno da escola. Sempre fui excessivamente caxias, e já fui bastante religioso. As pessoas me viam como alguém disciplinado e esforçado; eu era um exemplo a ser seguido.

Na verdade, nunca fui disciplinado. Tinha – e ainda tenho – dificuldade de agir contra minha vontade. Felizmente, sempre gostei de estudar e trabalhar, e nunca fui desordeiro. Entretanto, eu era bom estudante pela mesma razão que os meus colegas eram bons futebolistas nas aulas de Educação Física. Se tinha de fazer algo que não me motivava, porém, não conseguia me concentrar e acabava procrastinando. Se eu conseguisse cumprir meu dever, o resultado do meu trabalho saía ruim e eu ficava muito desgastado.

Não fazia sentido: as pessoas responsáveis que eu conhecia, essas pessoas não sofriam tanto, e trabalhavam bem. Havia algo ali, além de esforço. E, ao menos em parte, descobri o que era:

Disciplina, mais que esforço, é costume. Uma pessoa disciplinada se esforça, sim, mas tanto quanto um jogador se esforça em uma pelada. A motivação da pessoa disciplinada é intrísceca: por mais desagradável que seja a tarefa, ela a executa – ou melhor, a termina – com prazer. Se o desafio não estiver na tarefa, estará no próprio ato de cumprir a tarefa.

Este gosto não surge do nada. A pessoa disciplinada treina-se, mesmo que inconscientemente. A cada pequeno compromisso atendido, essas pessoas se tornam um pouco mais disciplinadas. E a cada responsabilidade assumida, fica mais fácil atender à próxima que chega.

A disciplina, pessoas, é o parkour das responsabilidades.

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5 Respostas to “Disciplina”

  1. Philipe M. Says:

    É afortunado quando o que lhe é naturalmente agradável é também útil e aceito pela sociedade. Ser curioso/bom aluno/nerd é mais difícil quando se está sob o risco de ser acusado de “trair o movimento”, “ser infiel” ou de “agir como branco” (acting white), etc…

    As pessoas que eu achava inteligentes na escola (e eram poucas) eram motivadas de dentro para estudar. As outras, que estudavam para ir bem, não pelo desejo intrínseco, foram sempre, no máximo, esforçadinhas…

    Há um campo de pesquisa emergente na área. O consenso atual é que o primeiro passo costuma vir de dentro, e que ele deve ser acompanhado de muito treino para que se chegue à alta performance – isso em qualquer área da performance humana. Sem esse primeiro passo “interno”, dificilmente se chega à excelência.

    • brandizzi Says:

      É afortunado quando o que lhe é naturalmente agradável é também útil e aceito pela sociedade. Ser curioso/bom aluno/nerd é mais difícil quando se está sob o risco de ser acusado de “trair o movimento”, “ser infiel” ou de “agir como branco” (acting white), etc…

      Felizmente, nunca tive esses problemas por ser “white’n’nerdy”. Não era muito popular, mas nunca experimentei nada como “A Vingança dos Nerds” e a maior parte dos meus problemas, olhando hoje, eram de fato em boa parte resultante de outras características. Era como se eu fosse Peter Parker, mas poderia ser Tony Stark :) Quanto aos estudos, bom comportamento etc. sempre fui apoiado.

      As pessoas que eu achava inteligentes na escola (e eram poucas) eram motivadas de dentro para estudar. As outras, que estudavam para ir bem, não pelo desejo intrínseco, foram sempre, no máximo, esforçadinhas…

      Há um campo de pesquisa emergente na área. O consenso atual é que o primeiro passo costuma vir de dentro, e que ele deve ser acompanhado de muito treino para que se chegue à alta performance – isso em qualquer área da performance humana. Sem esse primeiro passo “interno”, dificilmente se chega à excelência.

      Essa tem sido minha impressão também, e o post é sobre uma possível especificação desta generalização. Quanto a pesquisas, não as conheço mas fiquei interessadíssimo. Vou procurar!

  2. Quem é quem na briga do bar « Suspensão do Juízo Says:

    […] parte das vezes lá atrás? Creio que sempre consegui transmitir os sinais corretos à época. Estudioso, pentecostal, “certinho” e não raro vestindo esporte fino ou roupa social, dificilmente seria o potencial bandido entre […]

  3. matheus Says:

    quem quiser entrar no meu grupo do le parkour o nome é:Parkour nation é so me add

  4. Escrever para escrever « Suspensão do Juízo Says:

    […] Assim, escrever aqui é um exercício difícil que é praticado para se tornar fácil. Como a disciplina, só se aprende a escrever bem escrevendo, mesmo que mal. É preciso suar, mesmo quando se escreve, […]

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