O protesto do ipê

Os ipês em Brasília, tão sisudos
que passam quase o ano todo mudos,
fiscalizam o clima da cidade
com sua verdolenga austeridade.
Sua seriedade é tão pesada
que, quando a chuva flui e é festejada
pelas plantas, que riem se florindo,
o ipê se fecha, só verde emitindo;
mas quando chega a seca e as folhas caem,
as folhas do ipê também se esvaem
mas mesmo assim caçoa da secada
flora numa dourada gargalhada.
Mas este ano a chuva permanece!
a árvore verdeja! a grama cresce!
e, como a seca não se apresenta,
floresce o arbusto tanto quanto aguenta.
Pobre ipê! Pois a festa continua
na época que já fora só sua;
e ele só consegue, bravo e belo,
protestar em um tom verde-amarelo.
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2 Respostas to “O protesto do ipê”

  1. Borboleta Roxa Says:

    Adoooooro os ipês também. Belíssimo texto sobre eles, que acho que simbolizam bem o cerrado: um cerrado que hiberna por diversos meses, até ressurgir com todo seu esplendor.

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