Archive for maio \27\UTC 2011

Uma dica sobre investimentos

sexta-feira, 27 \27\UTC maio \27\UTC 2011

Por volta de 2007, cresceu explosivamente o interesse por investimentos, especialmente na Bolsa. O blog Dinheirama é mais ou menos desta época. Também foi por este período que Alessandro Martins, blogueiro já conhecido, iniciou seu blog sobre investimentos na bolsa. Estes foram só alguns dos sites que surgiram sobre o tema de investimentos e Bolsa. O assunto tomava as mesas de bar, todos queriam queriam participar do bolo e “ajudar o país”. Com a crise de 2008, a empolgação diminuiu tanto quanto as cotações dos papéis.

É uma pena. No Brasil, não há muito conhecimento e interesses sobre investimentos. As pessoas, no máxi apenas mo, têm uma poupança – até juntam, mas não aplicam. Entretanto, há investimentos com rentabilidade maior, alguns com riscos iguais ao da poupança. Com a propagação do medo, muitas pessoas acabaram fugindo destes bons investimentos ou nem tiveram tempo de conhecê-los.

De qualquer forma, mesmo a empolgação financeira de 2007 falhava em conquistar boa parte destas pessoas. As discussões focavam-se em investimentos arrojados, ou que dependiam de muito capital. Conversas, praticamente apenas sobre pôr dinheiro na Bolsa, sobre quais ações comprar, técnicas grafistas etc. Eventualmente, falava-se sobre outros investimentos e práticas financeiras, mas ainda assim eram fora da realidade de muita gente. Investimentos pareciam complicados, perigosos e caros. Muita gente, incluindo eu mesmo, ficou então apenas olhando de fora, tentando aprender com as observações antes de entramos no louco mundo dos investimentos.

Por isto, foi com surpresa e alegria que saí de uma palestra da XP Educação. Lá, eles me passaram muito mais confiança que qualquer outra instituição falando sobre o assunto. Mostraram, também, que há investimentos muito seguros e simples de entender. Ensinaram que era uma má ideia, digamos, deixar o dinheiro na poupança ao invés de aproveitar estes investimentos mais acessíveis. Como o palestrante que assisti falava a minha língua e entendia os aspectos emocionais e de renda dos vários perfis, me senti bastante confiante. Acabei fechando negócios com a corretora deles, XP Invesimentos, e investi em um dos seus fundos. Até agora, valeu muito a pena, tenho obtido ótimos rendimentos e sou sempre bem atendido e aconselhado.

Não posso pôr a mão no fogo pela empresa, naturalmente, mas pus meu dinheiro no fogo e não me arrependi. Se você tem interesse por investimentos mais rentáveis que poupança, ao menos assista uma das palestras do pessoal da XP. Eles possuem vários escritórios, eu fui neste de Brasília. Se as palestras forem tão boas quanto as que eu vi, você verá que investimentos financeiros são bem menos onimosos do que parecem, e que é fácil e compensador melhorar um pouco os seus. (Aliás, se você está tão mal financeiramente que nem pensa em investimentos, eles têm um curso sobre saúde financeira também. Uma conhecida fez e disse que é ótimo.)

Esta postagem, infelizmente, não é paga. Se alguém souber como resolver este pequeno problema técnico, aceitamos sugestões.

Redes sociais e comentários de blogs

terça-feira, 17 \17\UTC maio \17\UTC 2011

Hoje, vi este post do Alex Castro nos itens compartilhados do Google Reader. Ironicamente, o post, que fala sobre como comenta-se menos em blogs e mais em redes sociais, gerou uma bela discussão no Google Reader que o autor não verá.

O problema do LLL é um pouco maior que a tecnologia. Para muita gente, ele está ficando mais e mais desinteressante – para mim também, por sinal. Entretanto, as pessoas de fato abandonam os blogs e comentam nas redes sociais. Meu segundo maior sucesso na Internet*, por exemplo, gerou umas três threads ricas de comentários que eu vi no Buzz, mas poucos comentários no artigo. Talvez tenha havido outras discussões sobre este texto que nunca lerei.

Muita gente disse que o post do Alex era “mimimi” – o próprio autor diz isto no título. Apesar disto, a reclamação, típica do Classe Média Sofre, é justa. Para quem mantém o blog pelos comentários, perdê-los é algo ruim. Há blogueiros que mandam sua mensagem em um broadcast simplex – não precisam da resposta e nem sequer esperam ser lidos, necessariamente – mas há aqueles que querem o diálogo. Se ele escreve para conversar, é justo que faça uma campanha para que isto aconteça.

O problema é maior, porém, porque até nós leitores perdemos algo neste cenário. Em blogs com comentadores recorrentes há o diálogo inesperado, o conflito, o desafio às ideias preconcebidas. No LLL, por exemplo, ao post seguem-se os comentários da aiaiai concordando com tudo que o autor diz, o Paulo falando como se fosse John Galt, o Jorge Nobre fazendo copia-e-cola daquele textinho meio nonsense, a Indy escrevendo coisas meio difíceis de entender… Enfim, há diversidade em um blog. O LLL é só um exemplo, há outros ainda mais notáveis, como o Na Prática a Teoria É Outra, o antigo blog do Pedro Doria etc.

Isto não acontece em uma rede social. No Facebook, Google Reader etc. tendemos a seguir pessoas que conhecemos e com quem concordamos. Somos todos convertidos pregando uns para os outros, satirizando nossos inimigos e argumentando contra o espantalho deles. Não temos mais acesso à discordância. Estes dias mesmo, fui espinafrado em uma discussão numa thread do Google Reader de outra pessoa que sigo, quando tentei inquirir mais rispidamente alguém de quem eu discordava. Nada mais justo, aliás: rede social é para isto mesmo, falar com os amigos, reencontrá-los. Eu tenho uma abordagem diferente – discussões que passam dos cem comentários são tão comuns no meu Google Reader/Buzz que ganharam o apelido de Adam-threads – mas o correto é que minha abordagem se aplique apenas a meu território e eu respeite o alheio.

Redes sociais não são ruins, e têm a vantagem de justamente serem mais amenas, mas o incesto ideológico não é tão saudável. Por isto, comentários em blogs têm seu valor, e é uma pena que se reduzam. O que podemos fazer, então?

Na thread sobre o texto do Alex, alguém já perguntou se havia ferramentas para notificar o autor sobre comentários a seus posts. Há uma limitação a esta abordagem – que já apontaram lá, inclusive – que é a violação da privacidade. Entretanto, comentários públicos podem ser buscados e existem ferramentas para facilitar este trabalho. No Twitter, há as pesquisas salvas. Os alertas do Google são muito úteis, também. São soluções limitadas, mas é bom conhecê-las.

Além disto, talvez valha uma nova etiqueta. Quando um texto que compartilho gera um belo debate, posto o link no blog do autor. Pode ser um bom hábito. Os blogueiros também podem agir. Na thread que citei, muitas pessoas comentaram como vários blogueiros são desagradáveis ou pouco acessíveis. Se querem os comentários de volta, há também o que os autores podem fazer.

A nova dinâmica da Internet é surpreendente. Ao mesmo tempo em que reforçam amizades, também podem levar a bolsões de ideias concordantes. Esta é a face negativa de um grande avanço, mas não precisamos nos subordinar a elas. Com tempo, ferramentas e práticas corretas, poderemos ao menos recuperar um pouco do mundo passado.

* Meu maior sucesso na Internet foi alguém, em nome do Felipeh Campos, me ameaçar de processar-me por uma votação da Wikipédia.


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