Archive for the ‘Arte’ Category

O Arqueólogo

sábado, 15 \15\UTC outubro \15\UTC 2011

Trecho de uma placa de barro claro com escrita cuneiforme em colunas

Nabucodonosor ajoelhado

observa tensamente sobre a terra

um bloquinho de argila já secado

– ou melhor, só a ponta. Desenterra

o resto da plaquinha com cuidado

pois sabe que este barro duro encerra,

em marcas já não tão bem definidas,

palavras há milênios esquecidas.

Com medo de causar-lhe dano, escava

a tábua, que lhe impinge um outro medo:

que poder tem o texto que gravava

o escriba muitos séculos mais cedo?

É uma maldição tremenda e brava

que está escrita ali? Ou um segredo

sombrio, poderoso e moribundo

numa língua banida deste mundo?

Seria a voz de Anu, o poderoso,

sobre a argila úmida prensada?

A dor de um Dumuzi lamurioso

morrendo pela Inana namorada?

Os versos dedicados pelo esposo

escriba para sua idosa amada

gravados meios displicentemente

durante um mais tranquilo expediente?

Talvez seja a história de Sargão

saindo lá de Acade, a sua terra,

levando seu império em direção

ao Mar Vermelho através da guerra,

criando um reino cuja imensidão

antes não teve igual em toda a Terra

– mas que era tão pequeno comparado

ao do rei que escavava o barro assado…

E assim, temente como os velhos sábios,

mas empolgado como uma criança,

Nabucodonosor abria os lábios

num riso de feliz desconfiança.

Que sensação feroz os alfarrábios

perdidos lhe causavam, que esperança!

Igual só sentiria o escavador

das placas de Nabucodonosor.

Fotografia preto e branco em tons de sépia. Hormuzd Rassam, utilizando turbante listrado, barba e bigode, reclinado sobre cadeira e vestido à moda otomana.

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Aberturas de Duck Tales em vários idiomas

sábado, 27 \27\UTC novembro \27\UTC 2010

Eu queria escrever algo interessante aqui, e há muita coisa que até queria comentar, mas no momento tenho consciência da minha irrelevância e ignorância. Além disso, a Internet me pediu para escrever um post cheio de aberturas de Duck Tales em vários idiomas. Refestele-se.

(more…)

Mar

segunda-feira, 15 \15\UTC novembro \15\UTC 2010

Eu nunca gostei muito do mar. Deve ser coisa de quem nasceu no cerrado, mas o mar também não ajuda.

Mar de Ipanema, em uma cor semelhante a turquesa, com uma onda e três banhistas. Céu azul limpo e uma ilha no horizone.

O mar sujou a lente da minha câmera fotográfica >:(

Por exemplo, o mar não é tão romântico quanto se pinta. Veja só, quando minha namorada veio do Distrito Federal para cá, eu lhe dei uma rosa, que ela deixou aqui quando voltou para casa. Eu não iria simplesmente jogar a rosa no lixo, oras: fui à Pedra do Leme e joguei a rosa ao mar, pensando nela… Quando contei isso à namorada, ela perguntou se eu disse algo como “Mar, leve esta rosa para meu amor”. Obviamente, eu não pensei: o mar não iria chegar ao Distrito Federal… Assim, mesmo depois de todos os meus esforços, o mar quebrou o clima.

Em primeiro plano, plantas rasteiras. Depois, rochedos. Após, o mar azul com ondas e, no horizonte, céu azul e algumas ilhas.

Olhando assim, nem parece um lugar terrível

Entretanto, o pior do mar é o medo que me causa. Como posso saber que a água não está cheia de esgoto? Que não há alguma  toxina mortal ali? E o risco de ser devorado por uma água-viva? Pior ainda: se já existem seres comocobras-do-mar, ouriços-do-mar, escorpiões-do-mar, quem garante que não surgirá um ebola-do-mar, e eu serei o paciente zero? Ideia ridícula, me dizem, isto nunca aconteceria. Ficaram nessa conversa de “isto nunca aconteceria” sobre o mar até que, do nada, surge a vida.

Uma praia com areia branca e mar azul ao fundo. Vários guarda-sóis vermelhos e pessoas na areia.

Vítimas indefesas

A verdade é que o mar do Rio de Janeiro também não ajuda. O mar de Copacabana, por exemplo, é muito forte. Eu mesmo, um marmanjo de 100 kg distribuídos em 1,85 m, começo sempre brincando e termino me arrastando para o calçadão com as costas em carne viva e fratura exposta. Essa violência toda deve ser bullying contra novatos, só porque estou aqui há somente alguns meses e o mar há uns quatro bilhões de anos.

Ok, essa parte aqui até é bonitinha

Mas podem escrever: não me darei por vencido! Todo fim-de-semana que passo no Rio, faço questão de andar por toda a praia de Copacabana até o Leblon. Ainda aprenderei a gostar do mar! Neste dia, poderei, finalmente, sair de todos os flamewars políticos, econômicos, religiosos, culturais e técnicos dizendo que bom mesmo é praia.

Pedra do Leme: fotografia tirada de cima de um rochedo (a Pedra do Leme). Vê-se parte do rochedo em primeiro plano, com várias pessoas nele. Abaixo, as areias de uma praia e um mar azul escuro. Ao fundo, céu claro no horizonte e alguns prédios à esquerda.

Na verdade, estou de brinks, já aprendi a gostar do mar. Meu negócio é dar vontade em vocês com essas fotografias.

De um livro a outro

segunda-feira, 8 \08\UTC novembro \08\UTC 2010
Livro "Orgulho e Preconceito"

Orgulho e Preconceito

Terminei de ler Crime e castigo esta semana e comecei a ler Orgulho e preconceito. O efeito de começar a ler o livro de Jane Austen depois do de Dostoiévski é semelhante ao de sair de um quartinho escuro de São Petersburgo diretamente para os campos verdejantes de Hertfordshire: os olhos ardem com a luminosidade exagerada.

Crime e castigo é um livro forte, dramático, triste, tenso; esperava aliviar a tensão do livro lendo algo mais leve. Orgulho e preconceito é um livro suave e divertido, então foi o candidato natural, mas não dá. Lê-lo agora me dá vontade de matar Miss Bennet a machadadas. Jane Austen me conquistou com a primeira página deste livro – mas não estou em condições de lê-lo.

Moby Dick

Vou ler algo intermediário. Talvez Moby Dick, talvez O vermelho e o negro (sobre o que não sei nada, mas não pode ser tão triste quanto minha leitura anterior nem tão feliz quanto minha leitura atual). Talvez reler algo, como Morro dos Ventos Uivantes, que marcou minha adolescência, ou Coração das Trevas, que não compreendi bem. (Sim, Crime e Castigo é ainda mais triste que estes livros.) Ademais, essa semana ganhei meu terceiro Os Lusíadas; é possível que seja um recado para eu lê-lo e passar do canto quinto. Ou para devolver o volume que peguei de uma biblioteca.

PS: todos os livros citados, incluindo Os Lusíadas, fazem parte desta coleção da Editora Abril, que recomendo enfaticamente, mesmo sem receber nada por isso. Você fica revoltado porque o presidente do Brasil não tem cultura? Então comece a adquirir cultura você mesmo! De quebra, ainda vai suportar a Veja.

O protesto do ipê

domingo, 17 \17\UTC outubro \17\UTC 2010
Os ipês em Brasília, tão sisudos
que passam quase o ano todo mudos,
fiscalizam o clima da cidade
com sua verdolenga austeridade.
Sua seriedade é tão pesada
que, quando a chuva flui e é festejada
pelas plantas, que riem se florindo,
o ipê se fecha, só verde emitindo;
mas quando chega a seca e as folhas caem,
as folhas do ipê também se esvaem
mas mesmo assim caçoa da secada
flora numa dourada gargalhada.
Mas este ano a chuva permanece!
a árvore verdeja! a grama cresce!
e, como a seca não se apresenta,
floresce o arbusto tanto quanto aguenta.
Pobre ipê! Pois a festa continua
na época que já fora só sua;
e ele só consegue, bravo e belo,
protestar em um tom verde-amarelo.

Ehma

domingo, 29 \29\UTC agosto \29\UTC 2010


Emmanuel Codden, cujo nome artístico é Ehma, é um músico (pianista e compositor) belga. Encontrei-o incidentalmente no Jamendo, um maravilhoso site no qual músicos comportilham gratuita e livremente suas obras, todas sob a bênção da Creative Commons.


Ehma foi uma das descobertas mais felizes que fiz no Jamendo. Sua música é suave mas energizante. Seu ritmo calmo não é lento, apenas paciente. Sua alegria é felicidade – mas a melancolia é o pano de fundo. Algumas das músicas são oníricas como poucos fenômenos. Aguçam os sentidos sem causar preocupação. Fazem me sentir como uma criança e um idoso, sem deixar de ser adulto. É como andar por uma nova dimensão do espaço.

Enfim, não tenho palavras para descrever suas obras  – mas tenho para recomendá-la. Ouça um pouco, experimente, sinta. Espero que aprecie os sons sublimes – e aguardo sua opinião!

Sobre uma moça siliconada

domingo, 8 \08\UTC agosto \08\UTC 2010

Vi na televisão a história uma moça que fizera vários implantes de silicone. Em minha opinião, ficou com seios grotescos, mas essa não é uma posição unânime, porque a moça fez sucesso com seu busto avantajado. De qualquer forma, em alguma das várias cirurgias a jovem acabou sofrendo uma infecção com alguma bactéria perigosa, colocando-a em risco de morte.

Muita gente comentaria sobre como, em certo sentido, a sociedade forçaria a mulher a fazer suas cirurgias. Não foi o pensei naquele momento: acredito e assumo que ela fez o que fez por vontade própria, provavelmente bem informada, assumindo os riscos. Também não quero comentar o programa, um freak show constrangedor, que apoiou as escolhas dela e, agora, explora a situação da moça. No final das contas, o programa provê apenas o que as pessoas – e a própria mulher – querem. O importante é que eu vi uma cena profundamente triste e humana.

Não foi a doença, em si, que me abalou. É triste mas muita gente fica doente, acontece. Não foi a própria moça que se submeteu ao risco? Já estou suficientemente insensível para isso. Não, realmente triste foi a entrevista: a moça comenta que está em uma situação difícil e que, quando sua saúde melhorar – um “quando” como um “se” eufemístico – irá reduzir os implantes, já queria fazer isso. De repente, ela se vira para o apresentador e, com a voz baixa e o olhar amedrontado, diz que espera que o Brasil continue amando-a, mesmo depois da redução.

Eu fiquei comovido ao ouvir isso. Ali havia muito medo, grande necessidade de afeto. Perguntei-me – ela fez as cirurgias para ser amada? Senti uma aflição e uma empatia estarrecedoras. Tive vontade de ir lá, abraçá-la e dizer que não seja por isso! estou aqui, eu a amo e agora melhor e pegue leve, ok?

Ademais, minha afetação intelectual se dissolveu. Eu sempre me achei muito culto e inteligente, mas já começara a me enjoar de pavonear minha intelectualidade: cansara de falar mal de novelas e programa de domingo a tarde, de funk e de tecnobrega. Ao ouvir a moça, isso se consolidou. Em um dos programas que mais detesto, vi uma pessoa, que tomaria como meu contrário, mostrando um estado tão humano que imediatamente desmontou minha arrogante caçoada.

Na verdade, isso não importa. Talvez eu devesse fazer alguma coisa. Sei lá, quem sabe mandar uma mensagem no perfil do Orkut da enferma, junto com montes de fãs que enviam clichês que dizem para confiar em Deus. Confesso que até para mim isso se parece com “descer muito”, mas a questão é justamente essa: eu nunca estive tão acima assim…

Sobre a infanticida Maria Farrar

segunda-feira, 22 \22\UTC fevereiro \22\UTC 2010
Maria Farrar, nascida em abril,
menor, sem sinais particulares, raquítica, órfã,
sem qualquer condenação anterior ao que se julga,
é acusada de ter assassinado uma criança, da seguinte forma:
Conta ela que já no segundo mês
em casa de uma mulher, num sótão,
tentou expulsá-lo com duas injeções
dolorosas, como se calcula, mas não saíu.
Não se indignem por favor,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.
Assegura contudo, ter pago de imediato
o estipulado, ter continuado a apertar a cintura,
ter também tomado aguardente com pimenta moída,
o que apenas serviu de forte purgante.
O corpo estava inchado e sentia também
dores frequentes quando lavava os pratos.
Estava ainda em idade de crescer, segundo ela própria dizia.
Rezou à Virgem Maria com muita fé.
a vós também, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.
As orações, ao que parece, não serviram de nada.
Pedia-se demasiado. Quando já estava mais cheia
sentia vertigens durante a missa. Suava muito.
E também suava de medo, com frequência, diante do altar.
Mas fez segredo sobre o seu estado
até ser surpreendida pelo nascimento.
Isto resultou, pois ninguém pensava
que ela, tão pouco atraente, pudesse ser presa de tentação.
E também a vós, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.
Nesse dia, diz, bem cedinho,
estando a limpar as escadas, sentiu como que umas unhas
a arranhar-lhe o ventre. A dor
sacudia-a, mas conseguiu manter-se calada.
Todo o dia, enquanto estendia a roupa que lavou,
pensou e tornou a pensar, até se dar conta,
de coração apertado, que tinha mesmo que parir.
Só tarde subiu para o quarto.
A vós também, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.
Quando estava deitada, vieram chamá-la;
tinha nevado e teve que varrer.
O trabalho durou até às onze. Foi um dia bem longo
Só pela madrugada pôde parir em paz.
Conta ela que pariu um filho.
O filho era igual aos outros filhos.
Mas ela não era como as outras, embora…
Não há motivo para brincadeiras.
A vós também, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.
Assim, pois, deixemo-la contar
o que sucedeu com este filho
(diz ela que não quer esconder nada)
para que se veja como somos.
Diz que ficou pouco tempo na cama
angustiada e sozinha;
sem saber o que aconteceria a seguir
obrigou-se a conter com esforço os gritos.
A vós também, peço que não se indignem
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.
Como o quarto também estava gelado,
segundo diz, arrastou-se com as últimas forças
até à latrina e ali
(quando, já não se recorda) pariu
sem ruído até ao amanhecer.
Estava, diz ela, muito perturbada nesse momento,
já meio entumescida, mal podia segurar o menino
prestes a cair na latrina dos criados.
A vós também, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.
Então, quando ia da retrete para o quarto
– antes, diz ela, não aconteceu nada – a criança
começou a gritar. Isso afligiu-a tanto
que se pôs a bater-lhe com os dois punhos,
cega sem parar até a criança ficar quieta.
Então, levou o morto
consigo para a cama durante o resto da noite
e pela manhã escondeu-o na lavandaria.
A vós também, peço que não se indignem,
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.
Maria Farrar, nascida em abril,
falecida na prisão de Meissen,
mãe solteira, condenada,
quer mostrar-vos os crimes de todo o ser humano.
Vós que paris sem complicações em lençóis lavados
e chamais “bendito” ao vosso ventre prenhe,
não condeneis estas infames fraquezas
porque, se o pecado foi grave, o sofrimento também foi grande.
Por isso peço que não se indignem
pois toda a criatura precisa da ajuda de todos.

Navegando pelo Obvious, encontrei esse vídeo. Para mim, foi muito abstrato, mas fiquei curioso sobre quem seria Maria Farrar. Procurando mais, encontrei o poema de Bertolt Brecht aqui.

 

Não sei o quanto eu concordaria com Brecht – nunca o li consistentemente – mas concordo com qualquer um que diga que ele é um gênio da poesia.

Update: o vídeo é obra do pessoal do Balaio Variado.

Eva

segunda-feira, 15 \15\UTC fevereiro \15\UTC 2010

Todos sabem que, algum dia, o Sol se apagará. Entretanto, isso não ocorrerá em bilhões de anos, mas sim de futuro relativamente próximo, em que ainda haverá humanos. No dia que em o Sol apagar, a Humanidade estará condenada, exceto por um casal que escapará, em uma nave, para fora da Terra em resfriamento. Entre complicados paineis de controle, viajarão pelo espaço, apenas os dois. Será a última chance de preservação da Humanidade e, mais do que isso, a última chance de preservação do amor

Conhece essa história? Já leu o livro? Já viu o filme? Certamente não, porque a história é contada assim:

Pois é, é uma canção de axé de ficção científica. Descobre-se cada coisa quando se vai a Porto Seguro

Meu amor
Olha só
Hoje o sol não apareceu

É o fim
Da aventura humana na Terra
Meu planeta adeus
Fugiremos nós dois na Arca de Noé

Mas olha bem, meu amor
O final da odisséia terrestre
Sou Adão e você será…

Minha pequena Eva (EVA)
O nosso amor na última astronave (EVA)
Além do infinito eu vou voar
Sozinho com você.

E voando bem alto (EVA)
Me abraça pelo espaço de um instante (EVA)
Me encobre com teu corpo e me dá
A força pra viver.

Meu amor
Olha só
Hoje o sol não apareceu

É o fim
Da aventura humana na Terra
Meu planeta adeus
Fugiremos nós dois na arca de Noé

Agora vem, meu amor
O final da odisséia terrestre
Eu sou Adão e você será…

Minha pequena Eva (EVA)
O nosso amor na última astronave (EVA)
Além do infinito eu vou voar
Sozinho com você

E voando bem alto (EVA)
Me abraça pelo espaço de um instante (EVA)
Me encobre com teu corpo e me dá
A força pra viver

E pelo espaço de um instante
Afinal, não há nada mais
Que o céu azul
Pra gente voar

Sobre o rio Beirute ou Madagascar
Toda a Terra
Reduzida a nada
Nada mais

Minha vida é um flash
De controles, botões anti-atômicos.
Mais olha, olha bem, meu amor
No final da odisséia terrestre
Eu sou Adão e você será…

Minha pequena Eva (EVA)
O nosso amor na última astronave (EVA)
Além do infinito eu vou voar (eu vou voar)
Sozinho com você (com voce)

E voando bem alto (EVA)
Me abraça pelo espaço de um instante (EVA)
Me encobre com teu corpo e me dá
A força pra viver (pra viver)

Minha pequena Eva (EVA)
O nosso amor na última astronave (EVA)
Além do infinito eu vou voar
Sozinho com você

E voando bem alto (EVA)
Me abraça pelo espaço de um instante (EVA)
Me encobre com teu corpo e me dá
A força pra viver

Essa música, porém, tem mais história ainda. Embora tenha ficado famosa pela interpretação de Ivete Sangalo – digo, para os mais jovens – ela foi gravada pela primeira vez, em português, pela banda Rádio Táxi, como pop rock em 1983. Até há pouco, só conhecia a interpretação da Ivete Sangalo, mas a de Rádio Táxi já se tornou a minha preferida – embora ainda goste da versão pela qual a conheci. Aqui temos o clipe original, mas também recomendo o vídeo abaixo não só pela música, mas até pela montagem visual que, embora amadora, foi feita com considerável capricho.

Por fim, falei que Rádio Táxi gravou a primeira versão em português porque a canção é, na verdade, uma tradução de Eva, uma canção italiana de Umberto Tozzi, gravada em 1982:

Muito curiosamente, já li comentários de italianos dizendo preferir as versões brasileiras. Há também a versão em espanhol, da cantora cubano-porto-riquenha Lissette Álvarez.

E é por isso, pessoas, que parei de ser um daqueles chatos e arrogantes críticos de axé :) Até mais!

Tiktaalik (your inner fish)

segunda-feira, 2 \02\UTC novembro \02\UTC 2009

Já que sou desorganizado e não escrevo um post decente, eis aí algo… lindo:

A música é obra de The Indoorfins. Quanto ao Tiktaalik, é uma das grandes descobertas da paleontologia. Dê uma lidinha sobre ele, é fascinante!


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