Archive for the ‘Cinema’ Category

Apocalypto

quinta-feira, 24 \24\UTC setembro \24\UTC 2009
Cartaz de Apocalypto

Cartaz de Apocalypto

Depois de anos sendo o cara esquisito das rodas de amigos, resolvi adotar hobbies menos exóticos: fui a uma locadora perto de casa e abri uma conta. Para estrear minha vida cinéfila, escolhi Apocalypto. Estava querendo ver o filme há um bom tempo – e minhas especitativas foram satisfeitas.

Apocalypto é um filme visual. As paisagens conseguiam transmitir todas as sensações: medo, coragem, destruição, manipulação. As cenas eram não só expressivas, mas também belíssimas e bem feitas. Algumas decisões polêmicas – como misturar aspectos culturais de diversas épocas da cultura maia – foram tomadas para deixar o filme mais exuberante; o objetivo foi alcançado.

O enredo não deve nada ao visual. A história do caçador perseguido pelos soldados do império é fascinante. O filme consegue prender a atenção. Felizmente, faz isso sem exageros: há muito drama e muita ação, mas não mais do que deveria haver. Quem tivesse assistido o ótimo The Passion of the Christ poderia esperar um filme muito carregado, mas não encontrará isso: o pesado drama foi uma ótima escolha em  The Passion of the Christ, mas Apocalypto é outra categoria de filme. Ademais, uma história sobre pré-colombianos dificilmente encontraria backgroud suficiente nos espectadores para emocioná-los tanto quanto a Paixão de Cristo poderia fazer. Se houvesse tanto drama, o filme seria apenas meloso, como são, por exemplo, os filmes de Spielberg.

Os personagens não deixam nada a desejar. Suas motivações, atos, opiniões são convincentes. O espectador sente empatia por eles. Como o filme não possui europeus, eles já não poderiam ser vilões esquemáticos (como temia-se). Os maias são antagonistas, mas definitivamente não são personagens superficiais: seus dramas, atos e opiniões também geram empatia.

Como em The Passion of the Christ, o aspecto mais ousado do filme é o idioma. Apocalypto é falado no dialeto iucateque de maia. A escolha foi muito boa: embora não se possa entender as falas, o idioma cria clima também. Não tive esta sensação (leia todo). Talvez porque tenha sido um filme feito por anglófonos: os atores pareciam falar maia com uma entonação inglesa. É verdade que a legenda distraía o espectador, que via menos dos cenários. Afora isso, porém, foi uma escolha interessante e ousada, e achei que deu certo.

Acredito, porém, que erraram um pouco a mão ao falar da religião maia. O filme deixa claro que a religião maia é um instrumento de controle do povo – especialmente dados os problemas que os maias estavam encarando e viriam a enfrentar. A tese em si, não me incomodou; pelo contrário, foi uma ideia boa. Entretanto, ficou explícito demais. Acredito que, se tivessem apresentado com sutileza, ficaria mais elegante.

O filme teve também suas polêmicas. Por exemplo, alguns historiadores afirmam que os maias não eram tão afeitos a sacrifícios humanos: este seria um aspecto da cultura asteca. Richard Hansen, o especialista que prestou consultoria à produção, responde que, durante o período, houve uma grande influência da cultura asteca sobre os maias. De qualquer forma, segundo alguns pesquisadores, os imolados eram geralmente membros da elite, não escravos – que, por sua vez, talvez não fossem tão comuns.

Houve quem visse no filme uma defesa da colonização espanhola. Segundo estes, o filme transmitiria a idéia de que os maias eram tão selvagens que precisavam do socorro europeu. Sinceramente, isto não faz sentido: em nenhum momento os europeus eram apresentados como salvadores. Pelo contrário: durante todo o filme, vê-se sinais claros de que uma maldição se aproximaria – e esta maldição eram os conquistadores.

Sumarizando, o filme é muito bom. Lamentavelmente, não o vi no cinema: um filme visualmente espetacular, como esse, merece ser visto na telona. Recomendo, porém, que ainda assim o assista: é um dos melhores filmes que já vi.

Countdown

domingo, 24 \24\UTC maio \24\UTC 2009

Eu não entendi porque dizem que esse vídeo é uma comédia… De qualquer forma, eu gostei bastante:

Gostou? Pois o canal NFB tem mais curtas bem interessantes.

Valsa com Bashir

terça-feira, 28 \28\UTC abril \28\UTC 2009

Desde que li esse post em janeiro, estava ansioso para assistir Valsa com Bashir. Assim que foi lançado aqui em Brasília, assisti.

Poster de A Valsa com Bashir

Poster de Valsa com Bashir

Valsa com Bashir, ou Waltz with Bashir, é um documentário, feito em desenho animado, sobre o Massacre de Sabra e Sharita (mais aqui). O filme foi escrito e dirigido pelo cineasta israelence Ari Folman. Em verdade, o documentário é em grande parte autobiográfico: Folman participou da Guerra do Líbano de 1982. Segundo o filme, Folman não tinha lembranças da guerra, e só percebera isso quando um ex-companheiro de caserna lhe conta um pesadelo sobre o confronto. Curioso sobre a razão do esquecimento, ainda que temendo o que possa descobrir, Folman procura lembrar-se do que de fato ocorreu, juntando diversos depoimentos. À medida que avança, relembra cenas da guerra e descobre horrores das batalhas – culminando com um maior conhecimento do que ocorreu nos campos de refugiados, e no papel que ele mesmo teve, passivamente, nos massacres.

O filme é esplêndido. O traço e as cores são realistas, mas sem os detalhes que abundam nas animações 3D. Nâo precisa deles: o estilo dos desenhos é expressivo. O ponto alto do filme é a trilha sonora. Não consigo lembrar de algum filme que tenha feito uma escolha tão certa de músicas. Uma das razões pelas quais o filme me fascinou desde que vi o trailer foi a combinação perfeita entre música – punk rock, música popular israelense – e desenho.

Devo dar um alerta, porém: o filme é um documentário. Embora ele tenha uma carga artística rara em documentários, a estrutura do filme é ainda descritiva. O enredo do filme, embora possua uma história central, não é contínuo: a história salta entre cenas de guerras, entrevistas, delírios e pesadelos etc. Então, não espere um filme de guerra na forma tradicional.

O fato de ser um documentário permitiu ao filme apresentar inúmeras histórias bastante interessantes. Além disso, as diversas entrevistas, altamente subjetivas, permitiram que o diretor apresentasse cenas desde já antológicas, como a cena inicial dos cachorros e a dança citada no título.

Politicamente, o filme chega a ser bastante tranquilo, considerando a intensidade do tema. Alguns comentaristas vêem no filme uma propaganda israelense, o que me parece exagerado. Outros vêem uma conspiração alemã para aliviar a culpa pelo Holocausto, devido a várias referências, polêmicas, a Auschwitz – o que é ainda mais bizarro. Eu, no geral, vi no filme uma confusão honesta de um homem tentando compreender seu passado. É mais ou menos a mesma sensação que tenho ao ler posts do Pedro Dória sobre Israel: a busca da conciliação entre a Israel democrática e pluralista e o Estado desumano com um povo fraco, às vezes além dos limites legais. Entretanto, Folman é mais intenso: ao mesmo tempo em que sua confiança em Israel é clara, inegável, ele não se poupa de apontar para o massacre apoiado pelas tropas israelenses. Embora Gideon Levy tenha visto no filme uma propaganda que mostra o “lado bom” do exército, eu não vejo condescendência do diretor para com as tropas, ou com o Estado: certamente é um filme condescendente, mas com os jovens militares. Entretanto, isso não evita que o filme plante a pergunta na mente do espectador: até que ponto o soldado é responsável?

Além desses questionamentos, me veio mais um à mente. Certamente o estado israelense teve participação nos massacres, o que é vergonhoso e deve ser denunciado… mas por que ninguém nunca relembra a culpa dos cristãos libaneses, mais especificamente os falangistas? Esta questão, porém, é complicada, é História e talvez ficasse desconexa no filme. Agora, é hora de pesquisar por mim mesmo.

Pois bem, falei demais, e o filme é muito mais interessante. Só posso recomendar que assista. Para sentir um pouco do gosto, eis abaixo o trailer que me convenceu automaticamente a vê-lo:

On S’Embrasse?

domingo, 16 \16\UTC novembro \16\UTC 2008

On S’Embrasse? é um tragicômico curta-metragem que encontrei nessa manhã de domingo. Boa apreciação.

Está aqui. Via Dark Roasted Blend.


%d blogueiros gostam disto: