Archive for the ‘Metalinguagem’ Category

Mudança

domingo, 15 \15\UTC janeiro \15\UTC 2012

Este blog se mudou. Agora ele pode ser encontrado aqui. Se você me segue, atualize seu leitor de feeds. Se não, ainda assim apareça lá!

Redes sociais e comentários de blogs

terça-feira, 17 \17\UTC maio \17\UTC 2011

Hoje, vi este post do Alex Castro nos itens compartilhados do Google Reader. Ironicamente, o post, que fala sobre como comenta-se menos em blogs e mais em redes sociais, gerou uma bela discussão no Google Reader que o autor não verá.

O problema do LLL é um pouco maior que a tecnologia. Para muita gente, ele está ficando mais e mais desinteressante – para mim também, por sinal. Entretanto, as pessoas de fato abandonam os blogs e comentam nas redes sociais. Meu segundo maior sucesso na Internet*, por exemplo, gerou umas três threads ricas de comentários que eu vi no Buzz, mas poucos comentários no artigo. Talvez tenha havido outras discussões sobre este texto que nunca lerei.

Muita gente disse que o post do Alex era “mimimi” – o próprio autor diz isto no título. Apesar disto, a reclamação, típica do Classe Média Sofre, é justa. Para quem mantém o blog pelos comentários, perdê-los é algo ruim. Há blogueiros que mandam sua mensagem em um broadcast simplex – não precisam da resposta e nem sequer esperam ser lidos, necessariamente – mas há aqueles que querem o diálogo. Se ele escreve para conversar, é justo que faça uma campanha para que isto aconteça.

O problema é maior, porém, porque até nós leitores perdemos algo neste cenário. Em blogs com comentadores recorrentes há o diálogo inesperado, o conflito, o desafio às ideias preconcebidas. No LLL, por exemplo, ao post seguem-se os comentários da aiaiai concordando com tudo que o autor diz, o Paulo falando como se fosse John Galt, o Jorge Nobre fazendo copia-e-cola daquele textinho meio nonsense, a Indy escrevendo coisas meio difíceis de entender… Enfim, há diversidade em um blog. O LLL é só um exemplo, há outros ainda mais notáveis, como o Na Prática a Teoria É Outra, o antigo blog do Pedro Doria etc.

Isto não acontece em uma rede social. No Facebook, Google Reader etc. tendemos a seguir pessoas que conhecemos e com quem concordamos. Somos todos convertidos pregando uns para os outros, satirizando nossos inimigos e argumentando contra o espantalho deles. Não temos mais acesso à discordância. Estes dias mesmo, fui espinafrado em uma discussão numa thread do Google Reader de outra pessoa que sigo, quando tentei inquirir mais rispidamente alguém de quem eu discordava. Nada mais justo, aliás: rede social é para isto mesmo, falar com os amigos, reencontrá-los. Eu tenho uma abordagem diferente – discussões que passam dos cem comentários são tão comuns no meu Google Reader/Buzz que ganharam o apelido de Adam-threads – mas o correto é que minha abordagem se aplique apenas a meu território e eu respeite o alheio.

Redes sociais não são ruins, e têm a vantagem de justamente serem mais amenas, mas o incesto ideológico não é tão saudável. Por isto, comentários em blogs têm seu valor, e é uma pena que se reduzam. O que podemos fazer, então?

Na thread sobre o texto do Alex, alguém já perguntou se havia ferramentas para notificar o autor sobre comentários a seus posts. Há uma limitação a esta abordagem – que já apontaram lá, inclusive – que é a violação da privacidade. Entretanto, comentários públicos podem ser buscados e existem ferramentas para facilitar este trabalho. No Twitter, há as pesquisas salvas. Os alertas do Google são muito úteis, também. São soluções limitadas, mas é bom conhecê-las.

Além disto, talvez valha uma nova etiqueta. Quando um texto que compartilho gera um belo debate, posto o link no blog do autor. Pode ser um bom hábito. Os blogueiros também podem agir. Na thread que citei, muitas pessoas comentaram como vários blogueiros são desagradáveis ou pouco acessíveis. Se querem os comentários de volta, há também o que os autores podem fazer.

A nova dinâmica da Internet é surpreendente. Ao mesmo tempo em que reforçam amizades, também podem levar a bolsões de ideias concordantes. Esta é a face negativa de um grande avanço, mas não precisamos nos subordinar a elas. Com tempo, ferramentas e práticas corretas, poderemos ao menos recuperar um pouco do mundo passado.

* Meu maior sucesso na Internet foi alguém, em nome do Felipeh Campos, me ameaçar de processar-me por uma votação da Wikipédia.

Escrever para escrever

domingo, 5 \05\UTC setembro \05\UTC 2010
Atlas

Atlas carregando o globo

Adoro escrever algumas coisas. Por exemplo, gosto de escrever na Wikipédia. Também gosto de compor sonetos. Escrever textos técnicos também me agrada.

Por outro lado, escrever neste blog aqui não é tão prazeroso. Os textos são cansativos de compor, exigem muita pesquisa, muito esforço. Por vezes são sobre temas polêmicos, o que me obriga a tomar muito cuidado sobre o que falar. Geralmente, levo semanas, meses para escrever uma postagem maior.

Entretanto, esse enfado é uma das razões para manter este blog. Postar aqui só é cansativo porque me falta prática e coragem. Assim, escrever aqui é um exercício difícil que é praticado para se tornar fácil. Como a disciplina, só se aprende a escrever bem escrevendo, mesmo que mal. É preciso suar, mesmo quando se escreve, afinal.

Nada óbvio

domingo, 22 \22\UTC agosto \22\UTC 2010

“Óbvio”, o adjetivo, é contraditório. A obviedade faz mais sentido se é circunscrita, limitada no tempo e no espaço. Para o camponês medieval, a doença era obviamente uma consequência da feitiçaria. No futuro, a solução de vários problemas – digamos, a cura da Aids – talvez seja óbvia. Para o comunista, a inviabilidade do capitalismo é óbvia, mas o libertário vê a obviedade dos males do governo. Todas essas certezas são restritas, tópicas. Podemos eventualmente até olhar de fora, com condescendência.

Reprodução Proibida

Reprodução Proibida

Agora, há sentido em falar que algo é óbvio? Óbvio aqui e agora? Posso apontar para o céu e dizer que “é óbvio que é azul”, mas, justamente porque é óbvio, fiz apenas uma afirmação metalinguística. Esse é o problema da ideia de obviedade: se o fato é óbvio, por que apontá-lo? Dizer que algo é óbvio é uma maneira de atestar sua não-obviedade.

 

Golconda

Golconda

Devem existir usos significativos do “óbvio-aqui-e-agora”. Entretanto, esse conceito é quase sempre polêmico, agressivo, vazio. Qual a diferença entre dizer  “É óbvio que isto é assim” e “Isto é assim”? A diferença é que a primeira frase ofende o interlocutor. E é absurda: se fosse óbvio, não precisaria ser dito. Apontar algo como óbvio é um truque retórico: por que tentar convencer alguém de algo que é, bem, você sabe? Não vale a pena, o outro debatedor é simplesmente estúpido demais para ver o óbvio! Mesmo que o óbvio seja resultado de séculos de estudos de economia, filosofia, ciências, o que seja. Mesmo que o óbvio seja a consequência clara da pesquisa do doutorando.

 

Isto não é um cachimbo

Isto não é um cachimbo

Assim, cuidado com a palavra! Porque ela provavelmente mente sobre si mesma, mas não engana a vítima intencionada. O ouvinte não pode aceitar a obviedade daquilo que não entende, e percebe a farsa. Apenas o apontador do óbvio pode cair na sua própria ilusão, deixando-se emaranhar pela obscura armadilha.

Eva

segunda-feira, 15 \15\UTC fevereiro \15\UTC 2010

Todos sabem que, algum dia, o Sol se apagará. Entretanto, isso não ocorrerá em bilhões de anos, mas sim de futuro relativamente próximo, em que ainda haverá humanos. No dia que em o Sol apagar, a Humanidade estará condenada, exceto por um casal que escapará, em uma nave, para fora da Terra em resfriamento. Entre complicados paineis de controle, viajarão pelo espaço, apenas os dois. Será a última chance de preservação da Humanidade e, mais do que isso, a última chance de preservação do amor

Conhece essa história? Já leu o livro? Já viu o filme? Certamente não, porque a história é contada assim:

Pois é, é uma canção de axé de ficção científica. Descobre-se cada coisa quando se vai a Porto Seguro

Meu amor
Olha só
Hoje o sol não apareceu

É o fim
Da aventura humana na Terra
Meu planeta adeus
Fugiremos nós dois na Arca de Noé

Mas olha bem, meu amor
O final da odisséia terrestre
Sou Adão e você será…

Minha pequena Eva (EVA)
O nosso amor na última astronave (EVA)
Além do infinito eu vou voar
Sozinho com você.

E voando bem alto (EVA)
Me abraça pelo espaço de um instante (EVA)
Me encobre com teu corpo e me dá
A força pra viver.

Meu amor
Olha só
Hoje o sol não apareceu

É o fim
Da aventura humana na Terra
Meu planeta adeus
Fugiremos nós dois na arca de Noé

Agora vem, meu amor
O final da odisséia terrestre
Eu sou Adão e você será…

Minha pequena Eva (EVA)
O nosso amor na última astronave (EVA)
Além do infinito eu vou voar
Sozinho com você

E voando bem alto (EVA)
Me abraça pelo espaço de um instante (EVA)
Me encobre com teu corpo e me dá
A força pra viver

E pelo espaço de um instante
Afinal, não há nada mais
Que o céu azul
Pra gente voar

Sobre o rio Beirute ou Madagascar
Toda a Terra
Reduzida a nada
Nada mais

Minha vida é um flash
De controles, botões anti-atômicos.
Mais olha, olha bem, meu amor
No final da odisséia terrestre
Eu sou Adão e você será…

Minha pequena Eva (EVA)
O nosso amor na última astronave (EVA)
Além do infinito eu vou voar (eu vou voar)
Sozinho com você (com voce)

E voando bem alto (EVA)
Me abraça pelo espaço de um instante (EVA)
Me encobre com teu corpo e me dá
A força pra viver (pra viver)

Minha pequena Eva (EVA)
O nosso amor na última astronave (EVA)
Além do infinito eu vou voar
Sozinho com você

E voando bem alto (EVA)
Me abraça pelo espaço de um instante (EVA)
Me encobre com teu corpo e me dá
A força pra viver

Essa música, porém, tem mais história ainda. Embora tenha ficado famosa pela interpretação de Ivete Sangalo – digo, para os mais jovens – ela foi gravada pela primeira vez, em português, pela banda Rádio Táxi, como pop rock em 1983. Até há pouco, só conhecia a interpretação da Ivete Sangalo, mas a de Rádio Táxi já se tornou a minha preferida – embora ainda goste da versão pela qual a conheci. Aqui temos o clipe original, mas também recomendo o vídeo abaixo não só pela música, mas até pela montagem visual que, embora amadora, foi feita com considerável capricho.

Por fim, falei que Rádio Táxi gravou a primeira versão em português porque a canção é, na verdade, uma tradução de Eva, uma canção italiana de Umberto Tozzi, gravada em 1982:

Muito curiosamente, já li comentários de italianos dizendo preferir as versões brasileiras. Há também a versão em espanhol, da cantora cubano-porto-riquenha Lissette Álvarez.

E é por isso, pessoas, que parei de ser um daqueles chatos e arrogantes críticos de axé :) Até mais!

A terceira metade da verdade

segunda-feira, 16 \16\UTC novembro \16\UTC 2009

Certa vez, disse que até achava a Veja é uma boa revista, embora com alguns problemas. Meira da Rocha respondeu que entre os problemas estava

“inventar coisas que não aconteceram e colocar na boca de entrevistados coisas que eles não disseram”

Até concordo. Não sei quantos casos de distorção de fatos ou entrevistas houve na Veja – sei que houve alguns, mas não quantos. Estes casos, porém, não mudaram minha opinião. Estranhei isso: por que não achei a revista ruim, dadas as informações falsas? Se mente, por que ainda acho a revista interessante?

Bem, para começar, uma mentira não desqualifica um periódico. Li recentemente um livro chamado A História Verdadeira, (True Story, no original), a história de um jornalista que pôs informações falsas em uma reportagem de The New York Times Magazine, dentre outras coisas. Oras, eu não creio que The New York Times Magazine seja uma má revista; o que ocorreu foi um incidente isolado.

Entretanto, dizem, na Veja, as distorções são muito mais comuns. Não sei se são, mas isto não me abala. Mesmo que a mentira seja uma constante em uma publicação, não me sinto obrigado a desprezá-la.

Não espero que me apresentem os fatos exata e imparcialmente; na verdade, isso sequer é possível. Entretanto, coleto rascunhos de narrativas e opiniões, mesmo as meia-verdades. Unindo e comparando o que descubro, consigo uma versão mais rica que as coletadas.

Por exemplo, considere a alteração do marco regulatório de Itaipu. Na Veja, uma reportagem falava que o “Paraguai não pôs um centavo na usina.” Fui pesquisar e, de fato, o Paraguai não investiu dinheiro na usina. A surpresa é que o Brasil também não: empréstimos pagaram a obra, e a empresa Itaipu Binacional é quem os amortiza. Isto não encerra o debate, mas muda um aspecto importante dele. E descobri isso após ler uma informação que pareceu-me bem incompleta.

Então, se os fatos, sendo minimamente corretos, não são tão relevantes, o que torna uma fonte boa? Primeiro, a capacidade de prover dados “minimamente corretos“. Se a fonte me dá uma base para o próximo passo, já é suficiente. A relevância dos temas também é importante: uma reportagem tendenciosa sobre uma polêmica vale para despertar-me para a situação. A defesa bem feita de certas posições é outro trunfo; neste caso, a Veja está até bem servida, com colunistas como Roberto Pompeu de Toledo.

Também valorizo a boa apuração dos fatos. Por isso mesmo, acho a revista CartaCapital, com todos os seus problemas, melhor que Veja. Já assinei a primeira e as reportagens eram cheias de boa pesquisa. Na Veja, as matérias são muito opinativas e pouco referenciadas. Leio mais a Veja porque ela está disponível nos mercados, mas a CartaCapital, ao menos quando eu a assinava (idos de 2004), fazia um trabalho investigativo bem melhor.

Entretanto, não preciso dessas reportagens; não a ponto de comprá-las. Como a Veja é disponível gratuitamente, suas reportagens são suficientes para despertar minha pesquisa. Que minta, distorça ou omita, não me afeta tanto: a revista é apenas mais um pedaço de minha investigação pessoal. Coitado, isso sim, de quem a usa como fonte única…

Enfim, não me perturbo com as acusações. Não preciso que me digam a verdade; prefiro receber cada meia-verdade, para montar minha observação. Mas, e você? O que você acha?

Até!

Bizarro

segunda-feira, 25 \25\UTC maio \25\UTC 2009
Imagem de Bizarro

Ele parece elegante?

Descoberta do dia: “bizarro” significa – ou ao menos significava – “elegante, garboso, distinto“. Usar “bizarro” como sinônimo “extravagante, esquisito, grotesco, excêntrico” é um galicismo.

Esta é uma das razões dos meus atrasos no trabalho e nas aulas matinais. Não consigo resistir a procurar uma palavrinha no Houaiss nas manhãs, ao sair do banho…

Cinismo e Hipocrisia

domingo, 10 \10\UTC maio \10\UTC 2009

Eu pensava que cínico era, basicamente, um arrogante sarcástico e blasé. O hipócrita era mais simples: a pessoa que esconde as opiniões e sentimentos para evitar conflito ou angariar benesses. Dessas duas visões, perdoe-me, não vi nenhum mais importante que o outro *globalmente*. A hipocrisia é importante para manter a civilização, com seus alcances, estável, mas o cinismo é importante para dar o próximo passo. A hipocrisia sozinha manteria a humanidade no chão; o cinismo solitário faria o homem dar pulinhos de um metro por toda a eternidade.

Aí fui olhar no dicionário e vi que cínico quer dizer mais “imoral” que “sarcástico”, e passei a confiar menos no dicionário…

WTF? O Dr. Plausível propôs essa pergunta, e resolvi tentar responder….

A maldição do soneto

quarta-feira, 7 \07\UTC maio \07\UTC 2008

Desesperadamente, linha a linha,

escrevo os versos desse meu poema

tentando aliviar a dor mesquinha

que violentamente a mim se algema,

pois cada verso é um guia que encaminha

um pouco dessa depressão extrema

ao mundo lá de fora e que da minha

cabeça tira um pouco do problema.

Verso a verso, eu expulso lentamente

dor, rancor, solidão, ódio, tristeza

da minha mente tristemente presa.

Mas de que vale, se da minha mente,

de tantos sofrimentos tão perversos,

só posso aliviar quatorze versos?

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quinta-feira, 25 \25\UTC outubro \25\UTC 2007

Olá!

Finalmente, lancei meu blog. Devo confessar que não foi como eu esperava, mas acho que vai ser uma boa experiência…

Ah, sim, claro. Se você não me conhece meu nome é Adam Victor. É um prazer receber sua visita!

Ademais, recomendo a todos que saibam o básico sobre o blog.

Até mais!


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