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Partido dos Trabalhadores

quinta-feira, 24 \24\UTC fevereiro \24\UTC 2011

Estes dias, vi nos Trending Topics do Twitter a tag #pt31anos e por sua contrapartida, #corruptosday. Aparentemente, era aniversário do partido. Isto acabou me motivando a terminar uma postagem que comecei a algum tempo, mas vinha sempre postergando. Ei-la.

Estrela vermelha com as letras "PT" escritas ao meio, em branco, com fonte não serifada

Quando eu era adolescente, me filiei ao Partido dos Trabalhadores (PT) formalmente (embora nunca tenha pegado a carteirinha). Um amigo havia me convidado para umas duas reuniões do partido, às quais eu fui. Depois, me convidou a me filiar, o que fiz. Não foi uma decisão bem analisada: apesar de ter simpatia pelo partido – como não, se era quase unânime o valor do partido entre meus professores, por exemplo? – não havia realmente analisado o significado de me filiar e sequer conhecia as alternativas. O tempo passou, imagino que não seja mais filiado – nem tenho interesse, em verdade. Apesar disto, os seis candidatos em que votei na última eleição ou pertenciam ao Partido dos Trabalhadores ou à sua base aliada. Nas eleições de 2002 e 2006, não fiz nada muito diferente. Se votei tão consistentemente no partido, por que não me filio novamente?

A principal razão é que, hoje, discordo das ideias. Mesmo com o ajuste das ideias econômicas e superação do PT pré-2002, ainda é muito intervencionista. Embora respeite seus componentes – movimentos sociais -, eles querem estatizar, controlar demais a sociedade. Estou um tanto liberal demais para lidar com o PT como um todo, embora alinhe a gente como Palocci e Celso de Barros. Enfim, o PT não é o partido das minhas ideias.

Apesar disto, o PT tem muito do meu respeito. Para começar, no DF é o grande opositor do caudilho local, Joaquim Roriz. Embora o PT do DF seja fraco nacionalmente, é a única barreira ao coronelismo. Por isto mesmo votei em Agnelo, que nem conheço muito. Além disso, apesar dos podres, o PT ainda tem bastante quadros mais idôneos que a média. Os deputados em quem votei, Chico Leite e Paulo Tadeu, não possuem graves acusações até onde sei. (Paulo Tadeu pode ser meio fraco de trabalho, porém.) A aura de vestal sumiu – o que pode ser bom em alguns aspectos – mas quase sempre o candidato petista é melhor que o rorizista.

Mais do que tudo, respeito o PT por ser um partido muito democrático. É curioso que tenha sido pintado como um espantalho stalinista: se há algo que o PT sempre foi, é diverso. Lembro até hoje da charge que vi em 1995, que representava o PT como um saco de gatos – cada gato uma facção. Nada mais longe do exército comunista que se imagina em alguns setores oposicionistas. Aliás, o PT nasceu mais da união de movimentos sociais que de um projeto socialista, conforme se vê em seu manifesto. Por isso mesmo sempre foi confuso, mas sempre foi democrático, um partido com militância na rua e decisões em assembleias – e a prova maior disto é que eu, um insignificante estudante de escola pública, fui convidado a participar dele!

Hoje, é verdade, a diversidade se reduziu. Os mais ligados ao socialismo e os menos tolerantes ao jogo sujo da politica foram para o PSOL. Surpreendi-me ao ver o aborto tão valorizado no programa petista, pois os movimentos católicos sempre foram muito importantes no partido. (Fica a pergunta: pularam do barco ou perderam força?) Aparentemente, o militante das ruas perdeu um pouco da voz antiga.

Apesar de tudo, e por mais que eu discorde de diversas propostas do partido (desenvolvimentismo, regulamentação, manutenção modelo sindicalista atual etc.), o PT me parece, no mínimo, uma oposição respeitável ao que defendo. Sua atuação no governo federal foi excelente (devendo muito ao de FHC, sempre é válido lembrar). Formou quadros valiosos. Basta ver as “terceiras vias”, os presidenciáveis que foram escolhidos como uma alternativa entre a manutenção do PT no poder e o retorno ao PSDB nas duas últimas eleições: Heloísa Helena, Cristóvam Buarque, Plínio de Arruda, Marina Silva, todos foram petistas históricos. É inclusive intrigante ver tanta gente que repudia o PT votar em seus antigos membros. Ademais, que outro partido no Brasil consegue fazer um doutor de Oxford ir panfletar?

Se o PT fosse mais liberal economicamente, poderia ser meu partido. Provavelmente não o vai ser, e terei de continuar procurando meu partido. Apesar disto, tenho ainda consideração pelo PT e, dado o cenário político atual e os sinais enviados pela presidente, o partido provavelmente estará mais próximo de ser aliado que oposição para mim.

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