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Redes sociais e comentários de blogs

terça-feira, 17 \17\UTC maio \17\UTC 2011

Hoje, vi este post do Alex Castro nos itens compartilhados do Google Reader. Ironicamente, o post, que fala sobre como comenta-se menos em blogs e mais em redes sociais, gerou uma bela discussão no Google Reader que o autor não verá.

O problema do LLL é um pouco maior que a tecnologia. Para muita gente, ele está ficando mais e mais desinteressante – para mim também, por sinal. Entretanto, as pessoas de fato abandonam os blogs e comentam nas redes sociais. Meu segundo maior sucesso na Internet*, por exemplo, gerou umas três threads ricas de comentários que eu vi no Buzz, mas poucos comentários no artigo. Talvez tenha havido outras discussões sobre este texto que nunca lerei.

Muita gente disse que o post do Alex era “mimimi” – o próprio autor diz isto no título. Apesar disto, a reclamação, típica do Classe Média Sofre, é justa. Para quem mantém o blog pelos comentários, perdê-los é algo ruim. Há blogueiros que mandam sua mensagem em um broadcast simplex – não precisam da resposta e nem sequer esperam ser lidos, necessariamente – mas há aqueles que querem o diálogo. Se ele escreve para conversar, é justo que faça uma campanha para que isto aconteça.

O problema é maior, porém, porque até nós leitores perdemos algo neste cenário. Em blogs com comentadores recorrentes há o diálogo inesperado, o conflito, o desafio às ideias preconcebidas. No LLL, por exemplo, ao post seguem-se os comentários da aiaiai concordando com tudo que o autor diz, o Paulo falando como se fosse John Galt, o Jorge Nobre fazendo copia-e-cola daquele textinho meio nonsense, a Indy escrevendo coisas meio difíceis de entender… Enfim, há diversidade em um blog. O LLL é só um exemplo, há outros ainda mais notáveis, como o Na Prática a Teoria É Outra, o antigo blog do Pedro Doria etc.

Isto não acontece em uma rede social. No Facebook, Google Reader etc. tendemos a seguir pessoas que conhecemos e com quem concordamos. Somos todos convertidos pregando uns para os outros, satirizando nossos inimigos e argumentando contra o espantalho deles. Não temos mais acesso à discordância. Estes dias mesmo, fui espinafrado em uma discussão numa thread do Google Reader de outra pessoa que sigo, quando tentei inquirir mais rispidamente alguém de quem eu discordava. Nada mais justo, aliás: rede social é para isto mesmo, falar com os amigos, reencontrá-los. Eu tenho uma abordagem diferente – discussões que passam dos cem comentários são tão comuns no meu Google Reader/Buzz que ganharam o apelido de Adam-threads – mas o correto é que minha abordagem se aplique apenas a meu território e eu respeite o alheio.

Redes sociais não são ruins, e têm a vantagem de justamente serem mais amenas, mas o incesto ideológico não é tão saudável. Por isto, comentários em blogs têm seu valor, e é uma pena que se reduzam. O que podemos fazer, então?

Na thread sobre o texto do Alex, alguém já perguntou se havia ferramentas para notificar o autor sobre comentários a seus posts. Há uma limitação a esta abordagem – que já apontaram lá, inclusive – que é a violação da privacidade. Entretanto, comentários públicos podem ser buscados e existem ferramentas para facilitar este trabalho. No Twitter, há as pesquisas salvas. Os alertas do Google são muito úteis, também. São soluções limitadas, mas é bom conhecê-las.

Além disto, talvez valha uma nova etiqueta. Quando um texto que compartilho gera um belo debate, posto o link no blog do autor. Pode ser um bom hábito. Os blogueiros também podem agir. Na thread que citei, muitas pessoas comentaram como vários blogueiros são desagradáveis ou pouco acessíveis. Se querem os comentários de volta, há também o que os autores podem fazer.

A nova dinâmica da Internet é surpreendente. Ao mesmo tempo em que reforçam amizades, também podem levar a bolsões de ideias concordantes. Esta é a face negativa de um grande avanço, mas não precisamos nos subordinar a elas. Com tempo, ferramentas e práticas corretas, poderemos ao menos recuperar um pouco do mundo passado.

* Meu maior sucesso na Internet foi alguém, em nome do Felipeh Campos, me ameaçar de processar-me por uma votação da Wikipédia.


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